
Em 31 de outubro de 2026, celebramos o jubileu dos cento e dez anos da aprovação da Pontifícia União Missionária, fundada pelo Pe. Paulo Manna, em parceria com São Guido Maria Conforti, fundador dos Missionários Xaverianos e primeiro presidente da Obra entre 1917 e 1927. A União Missionária do Clero, como era conhecida inicialmente, foi aprovada oficialmente pelo Papa Bento XV em 31 de outubro de 1916. Com o reconhecimento oficial, a Obra recebeu uma dimensão universal e passou a exercer um papel significativo na renovação e dinamização da ação missionária da Igreja. No início, foi estruturada em diferentes categorias, como membros honorários (bispos) e ordinários (sacerdotes e seminaristas), organizada em instâncias locais. Promovia encontros formativos e publicações com a finalidade de animar e fortalecer o compromisso missionário.
O Papa Leão XIV, na mensagem para o Dia Mundial das Missões deste ano de 2026, afirma: “o lema do Beato Paulo Manna: ‘Toda a Igreja para o mundo inteiro’, que expressa sinteticamente o ideal que animou a fundação, em 1916, da Pontifícia União Missionária”. O Santo Padre continua: “a ela, no seu 110.º aniversário, pelo empenho em animar e formar o espírito missionário de sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos, favorecendo a união de todas as forças evangelizadoras, vai o meu reconhecimento e a minha bênção”. Enfim, acrescenta o Papa: “com efeito, nenhum batizado é estranho ou indiferente à missão”.
O Beato Paolo Manna, após uma década como missionário na Ásia, sentiu a necessidade de promover a formação do clero para uma consciência missionária universal. Estava convencido de que a missão não poderia ser responsabilidade apenas dos institutos missionários ad gentes, mas de toda a Igreja. Por isso, projetou a criação da União Missionária, voltada inicialmente para os presbíteros e seminaristas, com a finalidade de formar a consciência missionária do Povo de Deus. Ressaltava que a missão exige homens com visão, generosidade e amor a Cristo. Para ele, o clero constituía um dos principais agentes de animação missionária do povo.
O primeiro esboço da União Missionária surgiu em 1908, diante da necessidade de envolver diretamente o clero na animação missionária. Em 1912, foi criado o Secretariado missionário de Bérgamo (Itália), primeira ação organizada de caráter missionário na Itália. Em 1913, o Beato Paulo Manna declarava: “Não podemos perder de vista os sacerdotes e quanto deles se espera em favor das missões”. A fim de promover a sensibilização missionária, em 1914 lançou um informativo mensal intitulado Propaganda Missionária, por meio do qual procurava despertar maior interesse pela missão universal. A iniciativa recebeu uma resposta positiva e contribuiu para ampliar a consciência missionária.
A União Missionária do Clero experimentou um crescimento muito rápido. Em dezembro de 1917, apenas um ano após sua fundação, já contava com 1.254 presbíteros associados, entre os quais estavam dois futuros papas: Achille Ratti, futuro Pio XI, e Ângelo Roncalli, que viria a ser João XXIII. O número de membros da Obra continuou a crescer de forma impressionante: 4.035 em 1919, 10.255 em 1920, 23.000 em 1924 e, em 1950, aproximadamente 230.000 presbíteros.
Com o passar do tempo, a União Missionária como parte das Pontifícias Obras Missionárias (POM), foi recebendo novos reconhecimentos do magistério da Igreja. Em 1956, o Papa Pio XII declarou-a oficialmente Pontifícia, ampliando sua destinação para religiosos, religiosas e para todo o Povo de Deus. Posteriormente, em 1966, o Papa Paulo VI afirmou que a União Missionária é “a alma das demais Obras Missionárias” e o instrumento privilegiado para fomentar uma intensa espiritualidade missionária.
A espiritualidade da União Missionária fundamenta-se na convicção de que a missão é responsabilidade de toda a Igreja. Sua finalidade principal não consiste em organizar diretamente atividades missionárias, mas na formação do clero e dos agentes pastorais para que toda a comunidade eclesial viva em permanente estado de missão. Dessa maneira, contribui para fortalecer a cooperação missionária entre as Igrejas locais e promove uma espiritualidade que integra oração, formação e compromisso missionário.
Pe. Rafael Lopez Villasenor







