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Parteira é aquela mulher que está nos vilarejos, nas periferias do mundo. Onde falta tudo, tudo mesmo. Geralmente mulheres anciãs, detentoras de uma sabedoria que não foi a escola formal que ofereceu, mas forjada na luta diária da sobrevivência, nos conhecimentos passados através dos mais antigos. Talvez um jeito de dizer que ancestralidade e presente se encontram na vivência.

Mulher que vai andando, e andando para trazer vida ao mundo, senhora que vai andando e andando para cuidar dos adoecidos com o conhecimento das ervas que adquiriu. Esse caminhar sem recursos financeiros, mostra a abertura e o desprendimento de ir ao encontro do outro e da outra, não importa o quanto se anda um quilometro dois quilômetros, o importante é estar junto no momento que se faz necessário.

A imagem da parteira possui um encantamento, uma beleza que talvez muitos não a entendam. Alguns vão dizer é feitiçaria, aliás o poder estabelecido precisa ver no outro sempre o demônio, para não ver a face de Deus presente no que sofre. Mas o interessante é o que se esconde por trás desta palavra, o mal. Este está bastante presente quando as indústrias farmacêuticas em nome da ciência e do “Deus-capital” roubam o conhecimento antigo das ervas e a transformam em remédio sintetizados para aqueles que podem pagar.

A parteira não tem pagamento por cuidar dos doentes, por trazer crianças ao mundo. Ela sabe que aquela mulher prestes a parir não tem recursos para o atendimento médico. Então ela se dispõe. Ela também sabe que os doentes do vilarejo, só tem a Deus, mas, ele não tem braços, e ela compreende limpidamente que não basta só rezar, precisa realizar conforme o dom que foi dado a cada um.

Acredito que a Igreja teria muito que aprender com a experiências dessas mulheres reais, que no seu cotidiano levam conforto, esperança e sobretudo o amor que se concretiza na vida, no solo real onde as necessidades estão presentes e não no imaginário dos que só sabem falar e nada fazer.

Ela pode ser uma igreja em saída que provavelmente vai ficar com os pés cheio de lama e as roupas com pó, como a parteira,  mas estará junto com Jesus e  acho que a roupa de Jesus não era limpinha como a pintada nos quadros, sobretudo pelos locais em que costumava andar, na casa de Lázaro que lhe foi devolvido a vida, na rua em que curou a mulher que sangrava e em tantos outros lugares. Temos um Jesus com atitudes concretas e a parteira com ações concretas, duas imagens que remetem a vida. A Igreja também pode ser concreta. Temos várias sementes espalhadas desta concretude, mas infelizmente não é a maioria, é um pequeno oásis na imensidão. Mas tem força o bastante para se expandir se conseguir olhar para si mesma e mirar com coragem para Jesus.

Patrícia Alexandre da Silva


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