A Carta Testamento, síntese do pensamento de São Guido

Com a Carta Testamento em 02 de julho de 1921, Dom Conforti apresentava aos xaverianos presentes e do futuro o texto das primeiras Constituições. Sem ficar preso na linguagem jurídica à qual teve que se ater ao elaborar as Constituições, sem limitações redacionais, com palavras repletas de calor deseja que os seus filhos considerem a carta ‘como o testamento do Pai” CT 10).
A Carta foi objeto de longa reflexão e de cuidadosa composição, nos comunica a síntese do seu pensamento, o conteúdo mais profundo do seu coração. O Fundador atinge a profundidade da sua própria riqueza humana e espiritual e, nos presenteia com um texto de vida, um texto extraordinário e sempre atual.
“A vocação à qual fomos chamados não poderia ser maior, nem mais nobre” (CT 1). Com estas palavras, Dom Guido Maria Conforti, nosso fundador, no ano 1921, iniciava a escrever a quinta carta circular enviada “aos caríssimos Missionários, presentes e futuros da Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Estrangeiras” (CT 11).
“Por causa da relevância que a tradição xaveriana sempre tem atribuído à carta da qual temos visto o nascimento, é oportuno agora fazermos algumas constatações acerca do seu conteúdo e do seu significado. A primeira impressão diz respeito ao sentimento de alegria que perpassa todo o documento. “Canto de alegria – escreveu padre Grazzi – pelo acontecimento da definitiva aprovação das normas. Na nossa modesta opinião, nada de mais sincero e de mais completo em relação à festividade do Fundador pode ser encontrado seja no epistolário seja na crônica”.
O Fundador se alegra como autor das constituições às quais ele tinha dedicado fadigas e trepidações por muitos anos. O Fundador rejubila porque a aprovação das constituições é a afirmação e a solidificação do Instituto do qual se sente membro.
Na Carta o Fundador, ao conjugar os verbos, usa o sujeito da primeira pessoal plural ‘nós’: não é somente uma forma convencional de expressão e sim é uma forma em que ele se sente, junto com os outros, um dos membros da sociedade xaveriana.
A aprovação das constituições era o reconhecimento definitivo da ‘santidade e oportunidade da instituição’ e, portanto, o reconhecimento da sua pessoal vocação de missionário e especialmente de fundador. O período do começo da sua obra foi bem difícil, para São Guido não faltaram dificuldades e decepções do ponto de vista prático, como o crescimento devagar, inclusive, o ponto de vista jurídico. Finalmente a sociedade xaveriana saia das incertezas e se encaminhava rumo a uma estrada que se apresentava com mais clareza”
Pe. Lino Ballarin s.x. (Missione storia di un progetto, pp. 153-154).








