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Missiologia

Francisco Xavier uma vida que inspira a missão


São Francisco Xavier foi um homem entregue e inspirador, que buscou na sua própria vida concretizar o desejo profundo de seu coração que era ajudar ao próximo e anunciar a mensagem de esperança.

Quando se fala em missão a figura de são Francisco Xavier logo nos vem à mente. Grande missionário da história da Igreja, ele é um homem gigante, cuja vida, palavras e atos perduram no tempo e na memória. Canonizado em 1622 e proclamado padroeiro do Oriente em 1748, são Francisco Xavier, juntamente com santa Teresinha do Menino Jesus, foi declarado em 1927, padroeiro das missões. O mandato de Jesus "ide por todo mundo e anunciai a boa notícia para a humanidade" (Mc 16, 16) se concretizou em sua vida.

Francisco nasceu em 1506, no Castelo de Xavier, em Navarra, Espanha. Aspirando encontrar nos estudos o seu futuro, vai a Paris para estudar no Colégio Santa Bárbara, a fim de se preparar para o ingresso na universidade. Neste período, Xavier vive experiências que determinarão o seu caminho posterior. Tendo aí conhecido Inácio de Loyola, surgirá entre os dois uma bela e profunda amizade que os transformarão para sempre. Nessa amizade surgirá o germe fecundo que se transformará na Companhia de Jesus. Tal encontro é decisivo e essencial para entender Xavier em toda a sua vida missionária.

O jovem de Navarra era um sonhador, simpático e cheio de força. Inácio, o experiente de Loyola, era determinado e igualmente cheio de força, se esforçava em seus estudos de teologia e humanidades e buscava através de seus exercícios espirituais, cativar os estudantes de seu convívio. Inácio conhecia bem quais eram os seus desejos mais profundos.

xaviaggioEntre as idas e vindas da amizade, Inácio vai provocar Xavier com as palavras de Jesus, "de que vale o homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua alma?" (Mc 8,36). Desafiado e inquieto, Xavier deixará ser transformado por essa provocação. Ao final de seus exercícios espirituais ele vai rezar agradecendo a Deus pela "providência de lhe ter dado um companheiro como Inácio, incialmente tão pouco simpático". O missionário e o peregrino, tão diferentes, mas com o igual desejo de servir a Cristo, inscreverão os seus feitos e testemunhos na história da Igreja e do mundo. Mais tarde, já nas missões no Oriente, a maior alegria de Xavier seria receber as cartas de Inácio, a quem escrevia de joelhos e cuja assinatura recortada levava pendurada no pescoço em um relicário, com a dos outros companheiros.

Ainda em Paris, em 15 de agosto de 1534, Xavier professou os votos de pobreza e castidade. Em 1537, em Veneza, na Itália, é ordenado sacerdote, e pouco tempo depois parte para Roma onde se colocará à disposição do papa.

Atendendo a um pedido do rei dom João III de Portugal, Inácio de Loyola, numa Companhia de Jesus nascente, envia Francisco Xavier e outro jesuíta, Simão Rodrigues, para as terras portuguesas a fim servirem como missionários. Simão Rodrigues ficará em Portugal enquanto Xavier, na condição de núncio apostólico, começará sua longa jornada rumo aos domínios portugueses no Oriente. Ele enfrentará um longa e difícil viagem até a Índia, onde chegará em 1542. Ali, além de se dedicar à catequese, à administração dos sacramentos e à instrução religiosa dos cristãos já existentes ali, ele empreenderá a criação de escolas e paróquias. Xavier se tornará ainda um grande apóstolo do Japão. Seu desejo maior era chegar à China, porém morreu em 1552, tentando entrar naquela região.

Em uma das muitas cartas que Francisco Xavier escreveu a Inácio, vemos traduzidas em suas palavras, o espírito que sempre lhe impulsionou: "os cristãos destes lugares não têm quem os ensine! Batizei grande multidão de crianças; elas não me deixavam nem comer, nem rezar, nem dormir, e só queriam que eu lhes ensinasse algumas orações. Compreendi então porque deles é o Reino dos céus. Descobri neles grande inteligência. Muitos deixam de se fazer cristãos nessas terras por não haver quem se ocupe de tão santas obras. Muitas vezes me vem ao pensamento ir aos colégios da Europa, levantando a voz como um louco e, principalmente à Universidade de Paris, àqueles que tem mais letras. E se assim como estudam as letras estudassem a conta que Nosso Senhor lhes pedirá pelos talentos que lhes deu, muitos se moveriam a procurar, pelos Exercícios Espirituais, conhecer e sentir em suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela do que com suas próprias afeições, dizendo 'Senhor, eis-me aqui, que queres que eu faça? Mandai-me para onde quiseres' ".

Por onde passou, esse grande apóstolo do oriente deixou uma semente lançada. É oportuno lembra-lo neste mês das missões, para que fazendo memória de sua vida e de seus feitos, a reflexão e ação missionária na Igreja possam ser iluminadas. Certamente muitos aspectos do trabalho missionário de Xavier devem ser revisitados sem anacronismos. 

Naquele momento não se podia conceber nada que fosse melhor que conhecer a Cristo e anunciar a sua palavra. Xavier acreditava nisso e queria compartilhar com todos, sem exceção, o amor de Deus que ele tinha experimentado. E foi isso que ele fez. Mais do que as milhares de pessoas que ele batizou, é importante trazermos à memória a grande atenção que ele dava à formação cristã do povo e o modo dele se encontrar com as pessoas, de dialogar com o diferente, de se portar diante do desconhecido. A criatividade, a ousadia e a flexibilidade foram algumas de suas marcas que hoje podem nos inspirar quando o assunto é missão.

Xavier foi um homem entregue e inspirador, que buscou por sua própria vida concretizar o desejo profundo de seu coração que era ajudar ao próximo e anunciar aquela mensagem de esperança que, um dia (e para sempre) havia inflamado seu coração. O caminho que Xavier empreendeu, embora não sendo o caminho da maioria, é a certeza de que, ainda assim, Deus segue chamando no mundo de hoje pessoas que sejam capazes dar não somente aquilo que tem, mas principalmente aquilo que são.

Gabriel Araujo Pacheco SJ (Dom Total)


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