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Os Missionários Xaverianos não dispõem de nenhuma receita a não ser o nosso trabalho evangelizador e as doações dos amigos benfeitores. O nosso Fundador, São Guido Maria Conforti, quis que confiássemos na Providência de Deus que nunca deixa desamparados seus filhos. Invocamos sobre você e sua família, por intercessão de São Guido Maria Conforti, as bênçãos de Deus.
Atenciosamente,

Redação da Família Xaveriana


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"Estar unidos uns aos outros pelo afeto fraterno, competir no respeito mútuo" (Rm 12,10). A interculturalidade é, sem dúvida, um dos grandes desafios da atual missão ad gentes. Antes de ser vivida ad  extra, será frutífera se começar ad intra em nossa Família Xaveriana. Será a base do testemunho do nosso "amor pela vocação xaveriana" na missão de hoje. Procuro redescobrir a importância da fraternidade, o que a alimenta e o que a distorce.

Com efeito, a fraternidade leva-me à comunhão com os meus irmãos e irmãs. A comunhão fraterna é fruto da minha comunhão com Deus que me transforma com a sua graça. Assim, na família onde reina a fraternidade, há aceitação recíproca incondicional, diálogo, respeito, afeto, partilha, escuta, serviço recíproco, reconciliação, perdão. A pergunta seria: "Como participo da consolidação dos valores listados acima onde realizo meu serviço missionário?"

Por outro lado, há também atitudes que obscurecem a fraternidade: divisão, ciúme, competição, inveja, tribalismo, racismo, ressentimento, busca do interesse próprio, individualismo, indiferença, egoísmo, desconfiança em si mesmo e nos outros. Trata-se de «vírus» que roem o coração de quantos desejam viver juntos a fraternidade no seu caminho rumo ao mesmo ideal consolador na esperança do Paraíso (cf. CT 11).

Hoje, um grande fenómeno cujo significado podemos avaliar superficialmente impele-nos a um discernimento profundo. Com efeito, aquela Família que São G.M. Conforti quis como ponto de partida do esforço para "fazer do mundo uma só família" em Cristo; o que encontra sua expressão na encíclica Fratelli tutti do Papa Francisco, não é mais composto de um único povo, uma única nação. Hoje, o desafio mais urgente é viver verdadeiramente a interculturalidade.

Assim, o acolhimento recíproco e o respeito por cada membro da Família Xaveriana, seja qual for a sua origem, a sua língua, a sua nação, são condições sine qua non do testemunho fraterno que o mundo espera dos Missionários Xaverianos hoje e amanhã. Além disso, é a expressão do nosso amor pela vocação xaveriana, porque o testemunho de fraternidade e amizade social é o modo mais eloquente de anunciar o Evangelho ao mundo de hoje (Cfr. Jo 13,35).

Mesmo que não faltem testemunhos de confrades xaverianos que se dedicam a este exercício, não se pode ignorar o contratestemunho que é vivido aqui e ali, em algumas comunidades xaverianas. O que parece ser o inimigo comum para todos nós e que pode silenciosamente ameaçar a continuidade do projeto de San G.M. Conforti, são as sementes da divisão causada pela diversidade entre os membros de nossa Família Xaveriana. Para derrotar este inimigo comum, voltemos àquilo que disse o nosso santo Fundador: «Amai-vos uns como irmãos e respeitai-vos como príncipes!» Será que este imperativo dirigido aos filhos italianos (europeus), tem o mesmo tom no coração dos africanos, americanos e asiáticos?

Recordemos que o projeto de São Guido, dizia respeito às gerações presentes e futuras (CT 10). A minha convicção espera um retorno obrigatório a mim mesmo, para tomar consciência da necessidade de dar conta do meu "amor pela minha vocação xaveriana". Esta última não é uma teoria abstrata, mas uma prática da minha consagração missionária num contexto e tempo bem definidos, através de um serviço humilde por amor, com amor e no amor.

Para fazer o bem, uma cultura de escuta, de diálogo, de aceitação incondicional do outro como outro, são meios fecundos para viver a interculturalidade. Nenhuma cultura, nenhuma nação é superior às outras. De fato, em Jesus Cristo, não há nem europeus, nem africanos, nem asiáticos, nem americanos, ... Somos todos irmãos. O meu amor pela vocação xaveriana exprime-se no meu amor pelos meus companheiros a caminho da santidade, amando-os «como sou e não como quero que sejam».

O modo de manifestar o meu amor pela nossa vocação xaveriana é, sem dúvida, o esforço para pôr em prática a herança de São Guido, uma consagração quotidiana da nossa vida dada para a missão ad gentes. É o modo concreto de responder ao amor com que o Deus Uno e Trino me ama, o amor manifestado em Jesus Crucificado. São Guido contemplou este amor que é para todos e recorda-me que: «Caritas Christi urget nos»/o amor de Cristo impele-nos (2 Cor 5, 14).

Para concluir, peço a graça de cultivar sempre este amor incondicional de Deus que vem a mim através do meu próximo (1 Jo 4, 20), de estar na escola deste amor no respeito fraterno, a partir de onde estou. Deste modo, poderei testemunhar que «Cristo é tudo em todos» (Cl 3, 11), não só com palavras, mas sobretudo através da fraternidade vivida na realidade da missão. É o amor com que se prestará o serviço da autoridade no seio da nossa família, o amor com que cada xaveriano desempenhará o seu serviço missionário, que o mundo nos reconheça como discípulos missionários ad gentes.

Pe. Leônidas NAYUBURUNDI, s.x.


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