Um ano jubilar de agradecimento

A Carta Testamentária (CT), escrita por São Guido Conforti em 02 de julho de 1921, enviada aos "queridos presentes e futuros Missionários da Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Estrangeiras".
A ocasião da Carta foi a aprovação definitiva das primeiras Constituições, que são como a "carteira de identidade" da família xaveriana. Que é chamada a evangelizar os não-cristãos e a anunciar o Reino, dando preferência aos pobres e aos menos favorecidos. Podemos imaginar o estado de espírito de São Guido, uma mistura de alegria e apreensão. Estava finalmente nascendo um sonho, um projeto corajoso, há muito tempo preparado, fortemente desejado e esperado.
A CT de São Guido nos convidou a "alegrar-nos e agradecer ao Senhor" pela aprovação definitiva das Constituições. Ao mesmo tempo, com humildade e realismo, chamou a atenção «para o compromisso grave e solene que agora viemos a contrair perante Deus e a sua Igreja». Esperou que este compromisso missionário conduza à formação de "uma única família cristã, que abraça a humanidade".
A recente encíclica do papa Francisco “Fratelli Tutti” nos exorta a construir relações de fraternidade no mundo. O centenário das primeiras Constituições e da CT coincide, entre outras coisas, com o 125º aniversário do nascimento dos missionários xaverianos, nos convida para sermos todos irmãos. Acontecimentos que nos fazem dedicar o ano inteiro para refletir, como xaverianos a estes eventos, vivendo um ano jubilar. Júbilo significa alegria, alegria pela missão que nos foi confiada, apesar das nossas limitações.
Receber e comunicar o evangelho é um grande presente. É como um tesouro escondido no campo, que o homem encontra e esconde; então ele vai, cheio de alegria, vende todas as suas posses e compra aquele campo (Mt 13,44). O Espírito oferece este dom a toda a Igreja. Além dos xaverianos, participam familiares, amigos, leigos xaverianos, benfeitores, conhecidos...
Neste centenário, diz o Superior Geral, Pe. Fernando Garcia, devemos dizer “obrigado” pelo dom recebido e pelo bem realizado, em todos estes 125 anos, por tantos confrades. É também uma oportunidade para revisar e renovar nossa vida, espiritualidade e missão. Agora, está surgindo uma nova face da família xaveriana, multicultural, composta por membros de diferentes origens e países.
É um grande desafio testemunhar, como irmãos, que podemos viver juntos também na diversidade, em contextos tão diversos. Onde estamos, procurem ajudar a Igreja, mais ou menos constituída, a ser missionária, para que o mundo se torne "uma grande família". Onde, nesta crise mundial, nos opomos a "cultura dos muros", somos chamados a amar, a construir pontes, testemunhando que somos "uma família em Cristo " O outro nunca é um inimigo, mas irmão, irmã, amigo, oportunidade.
Felipe Rota Mártir, sx








