
A missão tem sua origem e estrutura trinitária. “A Igreja peregrina é, por natureza, missionária. Pois ela se origina da missão do Filho e da missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai” (AG 2). Ainda, no prefácio do decreto Ad Gentes se relaciona a missão da Igreja com a sua catolicidade. A Igreja deixa de ser católica se não for missionária: “enviada por Deus a todos os povos para ser sacramento universal de salvação, por exigência íntima de sua catolicidade e obedecendo ao mandato do seu Fundador (Mc 16,16), esforça-se por anunciar o Evangelho a todos os povos” (AG 1).
O Concílio Vaticano II diz que a estrutura missionária da Igreja é trinitária, porque ela é “Povo de Deus”, “Corpo do Senhor” e “Templo do Espírito Santo” (LG 17). Povo de Deus significa que é povo eleito por Deus. A eleição não constitui “exclusividade”, mas “universalidade”, porque a missão vem de Deus, porque Deus é amor, um amor que não se contém, que transborda, que se comunica, que sai de si já com a criação do mundo, com a história da salvação, para reintegrar as criaturas na vida plena do Reino.
O amor de Deus transborda a Trindade histórico-salvífica, que configura a missão de Deus. Deus é missão, a missão existe com Deus. Entretanto, o “Espírito Santo é o protagonista da Missão” (RM 21). Antes de Jesus voltar para o Pai fortalece os discípulos para a missão: “Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas até os confins do mundo”. (At 1,8). O Espírito na Igreja anima a missão e faz os apóstolos decididos e valentes como Pedro (At 4,13) e Paulo (At 13,9), indica os lugares que devem ser evangelizados e escolhe aqueles que devem fazê-lo (At 13,2). Portanto, a missão é obra de Deus Trindade, que antecede qualquer ação da Igreja que se encontra presente e atuante nas culturas e entre os povos (AG 9).
A Igreja missionária é uma comunidade constituída por comunidades que lutam pela vida a partir da fé. Todavia, não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da missão de Deus. A atividade missionária não é apenas uma ação da Igreja, mas é a Igreja em ação. Como nos disse o teólogo Moltmann “não é uma igreja que tem uma missão, mas ao contrário, é na missão de Cristo que se cria a Igreja. Não é uma missão que deve ser compreendida a partir da Igreja, mas o contrário”. Isto é, a missão é anterior a Igreja.
A missão é a essência da Igreja, o que significa que não pode ser separado a missão da Igreja. A razão de ser da missão é uma só, ou seja, que todos os homens sejam salvos em Cristo, único mediador (1Tm 2,4) e visa a que todos formem um só Povo de Deus, se unam num só Corpo de Cristo e edifiquem um só Templo do Espírito (AG 7). Daí ser a Missão o próprio agir de Deus na história (AG 9). A tarefa da missão da Igreja no mundo é fazer apresentar o Deus da Vida para que a humanidade tenha vida em abundância; convocar para a libertação do mundo. Enfim, a missão faz parte da história da Igreja, realizada com acertos e erros, luzes e trevas.
Rafael Lopez Villasenor








