Transcendência e imortalidade

Em 02 novembro celebramos o dia dos mortos. Nascer, crescer, envelhecer e morrer fazem parte da vida; porém a modernidade criou o mito da eterna juventude, ninguém gosta de envelhecer, há grande dificuldade de aceitar o envelhecimento. Somos todos seres mortais, que envelhecemos, feitos de tempo e de história.

Refletir sobre a morte é uma tarefa difícil, por tratar-se de uma realidade irreversível, mesmo que para nós cristãos seja a plenitude da vida. Ela sempre chegue de surpresa, até mesmo quando o enfermo se encontra em um estado de saúde delicado, mas continuam lutando pela vida. Ela não é fim de tudo, porém o começo de uma nova realidade.

Pensar a morte é pensar a vida, não se pode pensar em viver sem lembrar em morrer, viver é morrer. Como se diz popularmente: "só morre quem está vivo". Nascer, crescer, viver e morrer fazem parte do processo biológico.

Todavia, o que é a morte? Infelizmente, nunca saberemos realmente o que é a morte significa para o próprio morto. Ainda que seja refletida de muitas maneiras: intelectualmente como objeto de especulação filosófica, religiosamente como elemento da teologia, culturalmente como parte da pesquisa e da curiosidade humana. Porém sempre temos o conhecimento e a experiência da morte alheia, quanto experimentaremos a própria morte, não a poderemos contar.

O envelhecimento começa no útero e termina no túmulo. Provoca no organismo modificações biológicas, psicológicas e sociais; é na velhice que esse processo aparece de forma mais evidente.

As modificações biológicas são as morfológicas, reveladas por aparecimento de rugas, cabelos brancos e outros sinais; as fisiológicas, relacionadas às alterações das funções orgânicas; as bioquímicas estão diretamente ligadas às transformações das reações químicas que se processam no organismo.

As modificações psicológicas ocorrem quando, ao envelhecer, o ser humano precisa adaptar-se a cada situação nova do seu cotidiano. Já as modificações sociais são verificadas quando as relações sociais se tornam alteradas em função da diminuição da produtividade e, principalmente, do poder físico e econômico, sendo a alteração social mais evidente em países de economia capitalista.

Somos todos seres finitos, que envelhecemos, feitos de tempo e de história. Contudo,  como cristãos acreditamos no Deus da Vida, vemos a morte como a passagem para a Vida Eterna, ela não é uma tragédia, porém a plenitude da vida, por isso essa festividade é celebrada após o dia de todos os santos. O próprio Jesus afirma: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, mesmo que esteja morto viverá" (Jo 11, 25), palavras que nos dão a real certeza, de que a morte não é fim de tudo, que morrer não é um drama, nem um tabu, mas é viver junto com Deus.

Pe Rafael Lopez Villasenor.