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Teologia

Mês da Bíblia: a Esperança não decepciona


O Mês da Bíblia de 2025, a Igreja do Brasil aprofunda a Carta aos Romanos, com o lema: “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). A proposta está em sintonia com o Ano Santo da Encarnação “Peregrinos de esperança” e com os 1700 anos da celebração do Concilio de Niceia (325), que proclamou o credo como profissão de fé.

O Ano Jubilar é um tempo de graça, do perdão das dívidas (Lv 25, 8-13), o “ano da graça” (Is 61, 1-2), retomado por Jesus no começo de seu ministério (Lc 4,18-19). Na tradição católica, o primeiro ano Jubilar foi proclamado por Bonifácio VIII, em 1300, logo passou a ser celebrado a cada 25 anos. O ano do Jubileu é a ocasião para a oração, reconciliação e peregrinação, favorecendo um novo olhar sobre o caminho espiritual da comunidade e de cada pessoa. 2025 é o ano santo da graça com o tema: “Peregrinos de esperança”; o estudo da Carta aos Romanos, visa celebrar a fé vivenciando e aprofundando o tema da esperança cristã.

A autoria da carta aos Romanos é tradicionalmente atribuída a São Paulo, embora alguns estudiosos considerem que possa ter sido redigida por um discípulo. Se escrita por Paulo, foi provavelmente redigida em Corinto, entre os anos 55 e 58 d.C. Outros estudiosos sugerem datas entre 56 e 65 d.C., antes ou pouco depois da morte de Paulo.

A carta dirigida à comunidade cristã de Roma, não foi fundada pessoalmente por Paulo. Há indícios da presença de cristãos desde a década de 40 d.C., tanto judeus como gentios. Após o Edito de Cláudio (49 d.C.), muitos judeus foram expulsos de Roma, retornando após sua morte (54 d.C.), o que gerou conflitos internos na comunidade cristã, entre os antigos líderes judeus retornados e os gentios que assumiram a liderança durante sua ausência.

Há diversas hipóteses sobre a finalidade da carta, a primeira é que Paulo pretende ir a Jerusalém levar a coleta para os pobres (Rm 15,25-26), como gesto de solidariedade e comunhão entre as comunidades. A segunda é que Paulo precisava ser acolhido pelos romanos, dá ajuda a comunidade diante do conflito entre judeus e gentios (Rm 12–14). A terceira hipótese, é que Roma facilitaria a viagem missionária de Paulo para a Espanha.

A carta segue o gênero epistolar com os elementos clássicos da introdução com saudação e ação de graças (Rm 1,1–15). Corpo central com a justificação pela fé (Rm 1,16-17), dividido em quatro partes: a justiça e a ira de Deus (Rm 1,18–4,25); a salvação pela fé (Rm 5,1–8,39); o papel de Israel no plano de Deus (Rm 9,1–11,36); a exortações práticas (Rm 12,1–15,13). Enfim, a conclusão e as saudações (Rm 15,14–16,27).

A carta trata três temas teológicos, o primeiro é a salvação ou soteriologia sobre a justificação gratuita do ser humano, realizada por Deus por meio de Jesus Cristo, que não se obtém pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo (Rm 1,18–4,25). Depois, o papel de Israel como o povo da promessa; apesar da recusa de muitos em aceitar Jesus como Messias, permanece a esperança de salvação também para os judeus. Enfim, as consequências da justificação pela fé no agir cristão (Rm 12–15).

A fé leva a uma nova forma de viver ao cristão que deve oferecer sua vida como sacrifício agradável a Deus. O amor rege as relações na comunidade e na sociedade. A carta apresenta uma teologia densa e complexa, que leva a certeza de que “a esperança não decepciona” (Rm 5,5), porque nada nos separará do imenso amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo (Rm 8,31-39) e derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5,5).

Rafael Lopez Villasenor, sx


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