
No Brasil, setembro é celebrado o mês da Bíblia, a escolha não é por acaso. A data recorda a morte de São Jerônimo, em 30 de setembro do ano 420. Ele foi decisivo para que a Escritura chegasse ao povo. Ao traduzi-la das línguas originais, hebraico e grego para o latim, a língua falada pelo povo na época, tornou o texto compreensível para a maioria dos cristãos, o que abriu caminho para que a Palavra de Deus se tornasse fonte de oração, reflexão e espiritualidade.
Em 382, São Jerônimo foi chamado pelo Papa Dâmaso para ser seu secretário particular. Pouco depois, recebeu a missão de traduzir a Bíblia do hebraico e do grego para o latim, tarefa à qual dedicou praticamente toda a sua vida. O conjunto final de sua tradução ficou conhecido como Vulgata.
A história da Bíblia, entretanto, não foi linear. Durante a Idade Média, ela permaneceu restrita ao ambiente litúrgico e clerical. No século XVI, porém, ocorreu uma mudança decisiva, o período foi marcado, de um lado, pelo fortalecimento da autoridade da Igreja Católica na Europa e de outro, pelo surgimento da Reforma Protestante. Enquanto os católicos reafirmavam a autoridade do Papa, os reformadores protestantes proclamavam a Escritura como única norma de fé e vida. Esse cisma revelou a urgência de recolocar a Palavra no centro da vida do povo de Deus.
A grande redescoberta católica da Bíblia se deu no Concílio Vaticano II (1962-1965). A Constituição Dogmática Dei Verbum reforçou que a Palavra de Deus deve ser acessível, compreendida e rezada pelo povo em seu contexto próprio. Interpretar a Escritura exige atenção tanto ao mundo antigo quanto ao mundo atual, considerando a história, a cultura e as perguntas do ser humano.
No Brasil, essa redescoberta ganhou força com a espiritualidade e o método do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), que propõe três dimensões para a leitura da Bíblia: o texto, o que a Escritura diz; o contexto, a realidade em que foi escrita e em que é lida; o pretexto, a vida concreta de quem lê. Esse caminho faz da Palavra alimento de fé, libertação e compromisso.
Celebrar o Dia da Bíblia em 30 de setembro é mais do que recordar a São Jerônimo, é renovar o compromisso de tornar a Palavra viva e eficaz no coração do povo de Deus. Ao nos aproximarmos da Escritura como discípulos missionários, descobrimos que ela é luz para os nossos passos.








