Uma visão geral da Bíblia

  • Rafael Lopez Villasenor
  • Teologia
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A palavra Bíblia vem do grego βίβλια, plural de βίβλιον, bíblion, "rolo" ou "livro" é o texto religioso central do judaísmo e do cristianismo. Foi São Jerónimo, tradutor da Vulgata latina, que chamou pela primeira vez ao conjunto dos livros do Antigo Testamento e Novo Testamento de "Biblioteca Divina".

A Bíblia é uma coleção de livros catalogados, considerados como divinamente inspirados pelas três grandes religiões dos filhos de Abraão (além do cristianismo e do judaísmo, o islamismo). São, por isso, conhecidas como as "religiões do Livro". É sinónimo de "Escrituras Sagradas" e "Palavra de Deus".

A Bíblia se divide em Antigo e Novo Testamento, ou seja, antes de Cristo e Depois de Cristo. Foi escrita na língua falada pelo povo Hebreu, a saber: Hebraico e Aramaico e mais tarde com a influência de outros povos, usou-se também o Grego, que era a língua culta da época. A Palavra de Deus é maior do que existe na Bíblia (Cf. Jo 21,25). Todos os livros do Novo Testamento foram escritos em grego.

Ela não foi feita de um dia para outro, passou por um processo. A Bíblia é um livro muito antigo. Ela é o resultado de longa experiência religiosa do povo de Deus. É o registro de várias pessoas, em diversos lugares, em contextos diversos. Foi escrita ao longo de um período. Primeiro o povo viveu a vida, logo o povo contou a vida. Nos últimos anos a Bíblia foi traduzida para quase todas as línguas da humanidade. A Bíblia é a história de um povo que caminha com seu Deus e é a história de Deus que caminha junto com seu povo. Assim nós hoje podemos fazer uma re-leitura dos acontecimentos do povo escolhido de acordo com nossa realidade e necessidades concretas.

A Bíblia foi escrita durante muito tempo, aproximadamente 1300 anos, entre o ano 1250 a C e o ano 100 d C.

Seu início ocorreu com as chamadas "traduções orais", que vem a ser as histórias que uns contavam a outros. Por volta de muito tempo atrás, os chamados escribas decidiram "passar para o papel" essas histórias. Com isso, pouco a pouco, a Bíblia foi sendo formada. O último livro do Antigo Testamento a ser escrito foi o Livro da Sabedoria que se estima ter sido redigido por volta de cinqüenta anos antes de Cristo.

A Bíblia foi composta "a duas mãos": por Deus, que a inspirou, e pelos homens e mulheres que a escreveram. Não sabemos quantos são os autores humanos da Bíblia, mas sabemos que são muitos. Daí afirmarmos que a Bíblia foi escrita em "mutirão".

A Bíblia Hebraica é formada por 39 (trinta e nove) livros, divididos em três partes:
  1. Lei ou Torá cinco livros (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).
  2. Livros Proféticos 21 livros.
  3. Escritos 13 livros.

A razão de ter apenas 39 livros, é que no ano 100 da era cristã os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definirem a Bíblia Judaica usando critérios nacionalistas. Nesta época começava a surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos, que os Judeus não aceitaram. Nesse Sínodo os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte: (1) deveria ter sido escrito na Terra Santa; (2) escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego; (3) escrito antes de Esdras (455-428 a.C.); (4) sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.

A Bíblia Protestante Ao separar-se da Igreja Católica Martinho Lutero optou pela Bíblia Hebraíca. Assim, na Bíblia Protestante, o Antigo Testamento contém apenas 39 livros. Os livros que não estão são Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Eclesiástico, Sabedoria e Baruc. A Bíblia Protestante também não contém as seguintes citações do Antigo Testamento como Daniel 13-14 ; Ester 10,4-16,24. As diversas igrejas e denominações derivadas do protestantismo seguem a Bíblia de Lutero. Porém, devemos notar que, quanto à ordem dos livros, a Bíblia Protestante segue a Católica.

A divisão dos livros da Bíblia em capítulos é da autoria do inglês Estévão Langton, arcebispo de Cantuária, realizada no ano de 1214. Já a divisão dos capítulos em versículos foi feita, em definitivo, em 1551, pelo tipógrafo Roberto Stefano. Uma curiosidade: a Bíblia tem 1.328 capítulos e 40.030 versículos.

A Bíblia Católica A Bíblia Católica contém 73 livros, segue a versão de Alexandria no Egito. Cerca de 200 anos antes de Cristo, havia uma forte colônia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego. Os judeus de Alexandria, através de 70 sábios judeus, traduziram os livros sagrados hebraicos para o grego, entre os anos 250 e 100 a C, antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C). Surgiu assim a versão grega chamada Alexandrina ou dos Setenta. E essa versão dos Setenta, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram. Havia então no início do Cristianismo duas Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa). Porém, a Palavra de Deus é maior da Bíblia (Cf. Jo. 21,25).

A divisão dos livros da Bíblia em capítulos é da autoria do inglês Estévão Langton, arcebispo de Cantuária, realizada no ano de 1214. Já a divisão dos capítulos em versículos foi feita, em definitivo, em 1551, pelo tipógrafo Roberto Stefano. Uma curiosidade: a Bíblia tem 1.328 capítulos e 40.030 versículos.

Os livros da Bíblia foram escritos primeiro em papiros e depois em pergaminhos:

O papiro é uma planta que crescia às margens do rio Nilo. Suas hastes eram cortadas em pequenas tiras e sobrepostas umas às outras em forma de cruz. Depois eram coladas, prensadas e alisadas. Já era conhecido e usado no Egito desde 3000 anos antes de Cristo. Escrevia-se com um pequeno pincel, pois um instrumento com ponta muito fina podia rasgar a folha.

O Pergaminho e feito de couro de ovelhas ou de cabras, especialmente preparado. Foi inventado em meados do ano 100 a.C.Era material muito mais resistente que o papiro, porém muito mais caro. Escrevia-se com um instrumento de escrita com ponta mais fina que o utilizado no papiro.

A Igreja Católica aceita é que o povo de Israel, desde que Deus chamou Abraão de Ur na Caldéia, foi formando a sua tradição histórica e jurídica. Moisés deve ter sido quem fez a primeira codificação das Leis de Israel, por ordem de Deus, no séc. XIII aC. Depois de Moisés, o bloco de tradições foi enriquecido com novas leis devido às mudanças históricas e sociais de Israel. A partir de Salomão (972-932), passou a existir na corte dos reis, tanto de Judá quanto da Samaria (reino cismático desde 930 a C) um grupo de escritores que zelavam pelas tradições de Israel, eram os escribas e sacerdotes.

Do trabalho surgiram quatro coleções de narrativas históricas que deram origem ao Pentateuco:

1. O código Javista (J), onde predomina o nome de Deus Javé. Tem estilo simbolista, dramático e vivo; mostra Deus muito perto do homem. Teve origem no reino de Judá com Salomão (972-932). A narrativa abrange desde a criação até a torre de Babel e desde Abraão até a conquista de Canaã. Os textos estão intercalados com os de outras tradições, de forma que às vezes é difícil distingui-los.

2. O código Eloísta (E) predomina o nome Elohim (Deus). Foi redigido entre 850 e 750 a C, no reino cismático da Samaria. Não usa tanto o antropomorfismo (representa Deus à semelhança do homem) do código Javista. Quando houve a queda do reino da Samaria, em 722 para os Assírios, o código Eloista foi levado para o reino de Judá, onde houve a fusão com o código Javista, dando origem a um código Javista Eloísta. Não trata da criação, começa na história de Abraão. Destaca personagens como José, Josué por ser ligada às tribos, dá destaque aos profetas. Deus se manifesta através de sonhos e não diretamente como na Javista. Teve sua origem nos círculos proféticos com base em tradições orais muito antigas.

3. O código Deuteronomista (D) - Deuteronômio (repetição da Lei, em grego). Acredita-se que teve origem nos santuários do reino cismático da Samaria (Siquém, Betel, Dã,...) repetindo a lei que se obedecia antes da separação das tribos. Após a queda da Samaria (722) este código deve ter sido levado para o reino de Judá, e tudo indica que tenha ficado guardado no Templo até o reinado de Josias (640-609 a C), como se vê em 2Rs 22. O código Deuteromista sofreu modificações e a sua redação final é do século V a C no exílio da Babilônia, quando, então, na íntegra, foi anexado à Torá. No Deuteronômio se observa cinco "deuteronômios" (repetição da lei). A característica forte do Deuteronômio é o estilo forte que lembra as exortações e pregações dos sacerdotes ao povo.  São atribuídos os livros de Deuteronômio, Josué, Juízes, Samuel e Reis.

4. O código Sacerdotal ou Priestercodex (P) - provavelmente os sacerdotes judeus durante o exílio da Babilônia (587-537 a C) tenham redigido as tradições de Israel para animar o povo no exílio. Este código contém dados cronológicos e tabelas genealógicas, ligando o povo do exílio aos Patriarcas, para mostrar-lhes que fora o próprio Deus quem escolheu Israel para ser uma nação sacerdotal (Ex 19,5s). O código sacerdotal enfatiza o Templo, a Arca, o Tabernáculo, o ritual, a Aliança. Tudo indica que no século V a C, um sacerdote, talvez Esdras, tenha fundido os códigos Javista Eloísta e Sacerdotal, colocando como apêndice o código Deuteromista, formando assim o Pentateuco ou a Torá, como a temos hoje.

Pe Rafael Lopez Villasenor