Discípulos Missionários no Evangelho de São João

  • Rafael Lopez Villasenor
  • Teologia
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O mês de setembro é o mês da Bíblia. Desde 19971 a Igreja do Brasil neste mês dá um destaque especial a Palavra de Deus aprofundando um livro da Sagrada Escritura. Este texto é uma breve introdução ao Quarto Evangelho conhecido como o Evangelho do discípulo amado.

O evangelho de São João é totalmente diferente dos outros. É uma espécie de meditação que procura mostrar e aprofundar o conteúdo da fé em Jesus ressuscitado.O Evangelista descreve apenas sete sinais relacionados com sete festas (sete significa plenitude), pensando que são suficientes para levara as pessoas à fé, embora Jesus realizou muitas outras coisas (20,30; 21,25).

Cada um dos sinais é para preencher uma carência: falta de vinho (bodas de Caná), falta de saúde (cura de doentes), falta de comida (multiplicação dos pães), falta d vida (ressurreição de Lázaro), etc.

  • 1a. Festa: casamento (2,1)
    • 1o. Sinal: bodas de Caná (2,1-12)
  • 2a. Festa: Páscoa (2,13)
    • 2o. Sinal: cura do filho do funcionário (4,46-54)
  • 3a. Festa: dos judeus (5,1)
    • 3o. Sinal: cura do paralítico (5,1-18)
  • 4a. Festa: Páscoa (6,4)
    • 4o. Sinal: multiplicação dos pães (6,1-15)
  • 5a. Festa: das tendas (7,2-37)
    • 5o. Sinal: Jesus caminha nas águas (6,16-21)
  • 6a. Festa: da dedicação (10,22)
    • 6o. Sinal: Jesus cura o cego (9,1-14)
  • 7a. Festa: Páscoa (11,55)
    • 7o. Sinal: ressurreição de Lázaro (11,1-44)

O quarto evangelho é dirigido às “comunidades do discípulo amado”, que viviam na região de Éfeso, na Ásia. Eram formadas por Judeus, alguns tinham sido discípulos de João Batista (1,35-37).  Era também formada por Samaritanos (4,3-42) e por pagãos (12,20-22), formando uma grande fraternidade de judeus, samaritanos e não-judeus.

As comunidades começaram a serem perseguidas como Jesus. Após a destruição do templo de Jerusalém no ano 70 d.C. pelo exercito Romano, durante a guerra dos Judeus contra os Romanos (66-73 d.C.), os Fariseus organizam novamente o judaísmo. No ano 85-90 d.C. os Judeus definem no concílio de Jânmia, quais eram os livros do Antigo Testamento considerados inspirados, assim como definem as datas das festas e os costumes e expulsam do Judaísmo todos os grupos e seitas que estivam fora desse padrão. (Os Cristãos ao entrarem em conflito com os Judeus e foram expulsos como seita). A partir do ano 85 os Cristãos passaram a ser considerados inimigos dos Judeus.

O quarto Evangelho não nasceu de repente. É fruto de muita oração, partilha, luta e celebração. Antes de ser escrito foi vivido por décadas. Por trás dele estão às lutas, os conflitos, os desafios, as alegrias e as esperanças das comunidades do discípulo amado (Jo. 8). Nas comunidades havia problemas com os discípulos de João Batista (1,7-9; 3,28-29), com as comunidades dos outros apóstolos, sobre tudo com as de Pedro que eram comunidades centralizadas e autoritárias (6,68-69; 21). As comunidades de São João eram democráticas, participativas e fraternas. Assim no quarto Evangelho a figura central não é o “apostolo” e sim o “discípulo”. È o discípulo que garante a fidelidade á tradição de Jesus. Há homens e mulheres entre os discípulos.

O povo vive sobre uma dupla dominação: primeiro, sob o Império Romano, pagando alto imposto apoiado por Herodes e Pilatos e também pelas autoridades religiosas da época. O povo perdeu sua dignidade (tudo era pecado) além de 45 % de impostos da produção para Roma e 15 % para o templo de Jerusalém. Os pobres e oprimidos eram roubados pelas altas taxas dos impostos. Estes eram também sumiços ao sistema do império romano e religioso dos Judeus.  Havia uma forte opressão sobre o povo através dos costumes, da religião e do culto ao Imperador, da vida política e social (só Roma podia condenar a morte por questão Política) dos pesados impostos (recebiam 45% da produção da terra).  O autor não ataca o Império Romano diretamente para evitar problemas e sobreviver, porque as primeiras comunidades eram perseguidas por Judeus e por Romanos

Na época de Jesus todas as decisões eram tomadas no templo de Jerusalém (políticas, econômicas e religiosas). O templo era o único lugar de liberdade dos judeus, porque os Romanos não entravam nele, embora colocaram a águia. Os sacerdotes faziam dois sacrifícios no templo um para os romanos e outro para os judeus. Aqui se faziam também os sacrifícios pelo perdão dos pecados. Todo bom judeu devia ir anualmente ao templo. Mas o templo era o lugar sagrado, que discriminava as pessoas. Existia um lugar determinado só para os sacerdotes, só para os homens, só para as mulheres, só para os estrangeiros, ficando fora os doentes e eunucos. Em torno do comércio do templo viviam umas 18 mil pessoas.

Pe Rafael Lopez Villasenor.