Festa de pentecostes: os dons do Espírito Santo

  • João Batista Libanio
  • Teologia
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O significado destas festas, muitas vezes, nos escapam, tal é a sua profundidade, assim como a dificuldade que temos em mergulhar nas realidades que fogem aos nossos olhos. Olhando para as pessoas, não consigo ver em ninguém o amor, nem a justiça ou a bondade. Apenas vejo rostos.

Não conseguimos ver o que de mais importante, o que de mais profundo existe em cada um de nós. Portanto, os olhos não são a grande fonte de conhecimento, são o início, o primeiro andar, como diziam os filósofos gregos. A festa de hoje vai justamente nesta direção.

Aqueles que conviveram com Jesus o viram fisicamente, presenciaram alguns milagres, conversaram com Ele, portanto, podiam falar dele. Mas o Espírito Santo nunca foi visto nem por aqueles que conviveram de perto com Jesus. A descrição que ouvimos na escritura, falando de línguas de fogo, é simbólica. Se pedirmos para uma criancinha desenhar o amor, certamente ela desenhará um coração. Assim também pensou Lucas, o autor dos Atos dos Apóstolos. Ele fala em línguas de fogo, porque o fogo nos sugere aquecimento, entusiasmo, luz. Lucas que nos dizer que o Espírito Santo é aquele que aquece e ilumina. Precisamos experimentar a escuridão e o frio para entendermos o que Lucas quer nos dizer. Os apóstolos estavam assustados, indecisos, desnorteados e, de repente, vem o Espírito Santo para iluminar, aquecer e despertar o que de mais bonito há em nós.

Antes de saírem hoje desta igreja, deem uma olhadinha nos cartazes que trazem os sete dons do Espírito Santo: sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade, temor de Deus

Escolham um deles e peçam ao Senhor que o coloquem no coração de vocês. Que esta festa de Pentecostes são seja um simples momento bonito, mas que os acompanhe pelo menos durante esta semana. Que a ciência possa nos ajudar a conhecer melhor, não só a palavra de Deus, mas também as outras ciências. Que o conselho possa nos ajudar a dizer alguma palavra bonita a tantos que necessitam nela. Que o entendimento nos leve a desejar aprofundar mais. Para os mas velhos, a sabedoria fala de experiência acumulada que poderá ajudar

aos mais jovens. Que o temor ajude a tantos desvairados a não se perderem pelos descaminhos da vida. Que os mais fracos busquem a fortaleza para enfrentarem tanta inércia, tanta indisciplina nesta pós modernidade. Que a piedade ajude a tantas pessoas que não conseguem rezar, que vivem distraídas, a procurarem conhecer um pouco mais do mistério de Deus. Peçam a Deus esses dons, e Ele os dará, porque quer que cresçamos.

Uma coisa interessante é que os apóstolos falavam uma única língua e todos os que estavam ali presentes os entendiam na sua própria língua. Isso também está acontecendo aqui e agora. Eu estou fazendo com vocês uma reflexão em português, e tenho certeza de que cada um entende de maneira diferente. A filosofia usa uma palavra muito bonita para explicar isso: fala de hermenêutica. O ser humano – não apenas os apóstolos – só ouve uma realidade se conseguir interpretá-la. Cada um compreende a partir de sua experiência. Que esta festa de Pentecostes nos ajude a interpretar as realidades na linha profunda do espírito, ao invés de irmos pelo caminho da superficialidade que não penetra o mistério. Amém.

João Batista Libanio.