O paradigma xaveriano no Brasil

Nós Missionários Xaverianos celebramos setenta anos de presença no Brasil. Em 27 de julho de 1953, os quatro primeiros xaverianos desembarcaram em Santos. Foi também a primeira vez que membros da família missionária, fundada por São Guido Maria Conforti, puseram os pés em uma terra que não era uma "terra de missão". De fato, dizia-se que o Brasil é um país cristão.
Houve o apelo da Santa Sé, pedindo ajuda para os cristãos deste país continental, de batizados sem a mínima assistência religiosa. Nós, Missionários Xaverianos, tínhamos pessoal disponível, devido às expulsões da China comunista. Missionários com o carisma específico e exclusivo de "anunciar o Evangelho em terras dos infiéis", enviados, desta vez entre os fiéis, de fato, fidelíssimos às práticas religiosas cristãs, apesar da falta de sacerdotes.
O Concílio Vaticano II recordou que a Igreja é missionária por natureza e que a missão, por sua vez, nasce da Trindade (cf. AG 2). Muito se tem pensado sobre o termo missão, no conteúdo e nos paradigmas que guiaram a missão ao longo dos séculos. David J. Bosh, em sua pesquisa sobre a missão que se transforma e muda, após examinar os paradigmas que acompanharam a missão nos textos do Novo Testamento, as mudanças que ocorreram ao longo da história e a variedade de culturas, faz um elenco com uma dúzia de paradigmas presentes ou possíveis em nosso século.
A questão então é a seguinte, qual foi o paradigma fundamental seguido, consciente ou inconscientemente por nós, xaverianos, nestes setenta anos no Brasil? Com certeza seguimos nossas constituições que nos pedem, antes de tudo, de nos colocarmos ao lado do povo para caminhar juntos; servirmos ao Reino de Deus; proclamarmos Jesus Cristo com a palavra e exemplo (C 8.12) Qual é marca do serviço missionário prestado aos batizadas?
A igreja, construída de tijolo e concreto, mais que uma necessidade, se tornou um sinal. A igreja é um lugar de oração e celebração. E não é apenas isso. Onde há uma igreja, os batizados se reúnem, para estarem atentos às necessidades dos seus irmãos e exercerem a caridade para com os mais necessitados, onde há uma igreja há uma Comunidade cristã que é testemunha de fraternidade. Onde vejo uma igreja, posso acreditar que naquele lugar há pessoas dispostas a caminhar com os irmãos de outras confissões e religiões. Onde vejo uma igreja, acredito que há também uma Igreja!
Não é impossível imaginar, como nos primeiros anos foi difícil ter o necessário para viver e trabalhar. Ainda não havia comunidades e os poucos batizados que começaram a encontrar podiam, como aconteceu com frequência, oferecer um lugar para dormir e convidar para as refeições. Para poder dar os primeiros passos, torna-se fundamental a comunhão entre as Igrejas antigas com as que estavam nascendo. Puderam oferecer ambientes e estruturas necessárias para uma vida paroquial, ajudando as comunidades cristãs no mundo.
Penso que nestes setenta anos, exaltamos a comunhão entre as Igrejas aqui no Brasil, sem descuidar o anúncio catequético e a pastoral ordinária, sobretudo o fato de nascer paróquias e uma vez maduras, as entregarmos às Igrejas locais.
Alfiero Ceresoli, sx.
Xaverianos 2001
Francesco Sozzi, Pe. Giulio Quarciari e Leone Occhio em 1954









