Da China ao Brasil, Pe. Mário Lanciotti

Os primeiros Missionários Xaverianos que chegaram ao Brasil quase todos tinham trabalhado na China, como Pe. Pio Monchelato, Pe. Aurélio Basso, Pe. Giuseppe Milani ... O Pe. Mário Lanciotti além da China, trabalhou no Japão, eis o que ele escreveu em 1975, que resume sua atividade missionária: “Deixei a China chorando, escolhi o Japão com entusiasmo, aceitei o homem da Amazônia com o coração que transbordava de alegria, porque pude sempre viver a
minha vocação missionária. Procurei sempre ver a mão de Deus que dirigia a minha vida e a minha atividade. Também procurei entender sempre melhor o povo que Deus me confiou, amando-o e aceitando-o, segundo a sua natureza... Agora estou velho e desejo somente poder continuar a viver a minha vida missionária, como vivi até hoje, para ser ainda um instrumento nas mãos de Deus, em benefício do próximo”.
Pe. Mário nasceu numa pequena vila da Itália, Cupramarittima, em 28 de outubro de 1901. Com 17 anos, começou seu relacionamento com os Missionários Xaverianos. Por vários motivos de saúde e por causa do serviço militar, adiou sua entrada até julho de 1925. Na casa Mãe dos Missionários de Parma, conheceu São Guido Conforti, Fundador dos Xaverianos. Quando já velho e cego, conversando, lembrava o Fundador como modelo e um grande exemplo de virtude.
Em 1926, consagrava-se a Deus com os Votos Religiosos e, um ano mais tarde, em 29 de junho de 1927, foi ordenado sacerdote. Três anos após a ordenação foi enviado para China (1930). Por problemas particulares foi obrigaram a deixar a China, após 17 anos de Apostolado. No fim de 1947, voltou para a Itália.
Enquanto esteve na Itália (1948-1951), os superiores pediram-lhe para divulgar o ideal missionário. Também, foi diretor espiritual no Seminário Xaveriano de Parma e Piacenza, mas seu desejo era sempre o mesmo: voltar a trabalhar nas Missões, em qualquer parte do mundo.
Destinado ao Japão (1951-1955), ele escreveu ao Superior “A notícia encheu-me de alegria. Obrigado, padre! Deus o abençoe!” No apostolado entre os japoneses percebeu que a tarefa era superior às suas forças, e a dificuldade de aprender uma língua difícil, então foi redestinado para o Brasil.
Veio direto do Japão para o Brasil, sem passar pela Itália, chegou em novembro de 1955. Aqui foi mais fácil aprender a língua. Numa de suas primeiras cartas, escreveu em Lupianópolis (PR): “...Aqui não há necessidade somente de confessar e batizar, mas conquistar o terreno, semear a Palavra de Deus ... Precisa trabalhar com critérios verdadeiramente missionários, como na China, olhando sempre para o futuro, organizando as paróquias e fazendo crescer a fé...”
Quando foi confiada à congregação a Prelazia de Abaeté, no Pará, levado pelo seu zelo missionário, pediu ser um dos pioneiros da nova Missão. Em março de 1961, chegava a Abaeté com os padres Tarcísio Facchinello, Augusto Cardin e Leão Occhio. Alguns anos depois escreveu: “...Trabalhei na China e no Japão, mas aqui sinto toda a beleza e sublimidade de meu sacerdócio missionário. Aqui posso ficar à disposição dos pobres. Aqui me sinto verdadeiro missionário... Estou velho e quase cego e já posso fazer pouca coisa. Desejo ser enterrado nesta terra abençoada, pobre entre os pobres”.
Pe. Mário trabalhou mais de vinte anos na Amazônia. Sempre preferiu lugares humildes, sem grandes responsabilidades entre Abaetetuba (PA) e Belém (PA). Quando o Prelado do Xingu, Dom Eurico, pediu Padres para a sua prelazia, Pe. Mário perguntou: “Pode servir um velho de 72 anos?” Obtida a resposta afirmativa, ele partiu logo, sem hesitar. Dedicou seus últimos anos à Prelazia do Xingu.
Em junho de 1979, em Altamira (PA), escreveu com letras grandes e confusas por causa de sua vista: “...Minha saúde declina. Sinto uma fraqueza nunca experimentada. A vista diminui sempre mais. Quanto tempo poderei ainda resistir? Seja feita a vontade de Deus! Sinto-me feliz e agradecido por estar perto dos meus 52 anos de Sacerdócio missionário. Deus foi muito bom comigo, especialmente nestes últimos sete anos que passei no Xingu. Quero sempre corresponder à graça de Deus...”
Faleceu em 22 de janeiro de 1983, em Belém. Pe. Mário, como afirmou Dom Ângelo Frosi, deixou tríplice herança: a) Fidelidade ao Senhor, à Igreja e à palavra do Papa... b) Bondade com todo mundo... c) Simplicidade de vida e pobreza...
Pe. Siro Brunello sx









