Deus misericordioso

  • Rafael Lopez Villasenor
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A misericórdia é atitude do amor infinito de Deus, que abraça e acarinha a toda a humanidade. É a entrega divina que acolhe e perdoa a todos; podemos dizer que é a identidade do mistério da Santíssima Trindade.

Deus é misericordioso, porque sempre perdoa e oferece uma nova chance a todos como dom e graça. É a manifestação da compaixão infinita de Deus que vem ao nosso encontro, como ato último e supremo. De tal modo, a misericórdia é a mensagem mais importante do próprio Jesus, que diz: “não vim chamar os justos, mas os pecadores arrependidos” (Lc 5,32); mostrando, de tal modo, o rosto compassivo de Deus Pai, nas parábolas da misericórdia da ovelha perdida, da moeda desaparecida e do pai misericordioso com os dois filhos (cf. Lc 15, 1-32). Portanto, Deus apresenta-se sempre repleno de alegria, compaixão e misericórdia para com o pecador arrependido que volta para a casa do Pai.

Para os cristãos, não são suficientes os sacrifícios, holocaustos ou as obras de piedade, sem ser misericordiosos: “Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Os 6,6; Mt 9, 13). O texto leva a pensar: de que adianta ficar o dia inteiro sem comer, mas não repartir o pão com o faminto? Fazer sacrifícios e penitências, mas ser injusto? Enfim, a negação da compaixão é contrária à misericórdia. É rejeitar a experiência do amor que liberta e dá a paz. A penitência que agrada a Deus é repartir o pão com o faminto, vestir ao que está sem roupa, acolher ao sem casa, visitar o doente e o encarcerado, isto é, praticar as obras de misericórdia (cf Is 58, 6-13; Mt 25, 31-46).

A misericórdia deve ser sempre o princípio fundamental que mora no coração de cada cristão, que vê com olhos sinceros o irmão. Precisa ser o caminho que une Deus e o homem, porque abre o coração e o entendimento à esperança de sermos amados, apesar das limitações das nossas fraquezas humanas.

A missão da Igreja não é condenar ou julgar, mas permitir o encontro pessoal com o amor misericordioso de Deus. Toda a ação pastoral deve estar cheia de misericórdia e compaixão para com o pecador e o sofredor. Portanto, ela é a força que vence, enche o coração de amor e consola com o perdão e a reconciliação.

Inclusive, não há justiça sem perdão e reconciliação com a criação, tendo como base a construção de uma sociedade justa e solidária, vivendo em harmonia com as questões ecológicas. A misericórdia e a justiça são o caminho no processo de solidariedade e harmonia universal.

Neste Ano Santo da Misericórdia, poderemos fazer a experiência de abrir o coração à misericórdia de Deus, permitindo que Jesus misericordioso entre em nossa vida. É o tempo propício para sermos misericordiosos com nosso próximo, para viver as obras de misericórdia: dar de comer ao faminto; dar de beber ao sedento; vestir o desnudo; acolher o peregrino; visitar os doentes e presos; enterrar os mortos.

Enfim, desejamos boa caminhada cheia de misericórdia neste Ano Santo!

Rafael Lopez Villasenor.