Ser católico é ter visão missionária universal e transformadora

Ser católico significa ser universal, portanto nós os “católicos” temos compromissos pelo bem-estar com o mundo inteiro, pensar e agir além-fronteiras, além de todos os povos e raças.
Ser católico é ter uma visão e um agir mundial é próprio da vocação cristã, se expressa no sentir e no vibrar profundamente pela humanidade inteira, através de gestos simples, ousados e concretos de solidariedade e de partilha com os outros, até o envio de missionários e missionárias além-fronteiras. Enfim ser católico é “pensar mundialmente e agir localmente”, para que como discípulos missionários sejamos um sinal profético da nova humanidade universal, fraterna e multicultural.
Os documentos do Concílio Vaticano II deixam claro que “A Igreja peregrina é missionária por natureza, porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai” (AG 2). Por isso, “o impulso missionário é fruto necessário à vida que a Trindade comunica aos discípulos” (DAp 347). A inovação está na declaração conciliar que usa a palavra “natureza” o que significa “essência”, a Igreja é missionária “essencialmente”. Essa essência é a própria natureza de Deus, porque “este desígnio brota do ‘amor frontal’, isto é, da caridade de Deus Pai” (AG 2).
Em outras palavras, a missão vem de Deus porque Deus é amor, um amor que não se contém, que transborda, que se comunica, que sai de si já com a criação do mundo e por consequência ao pecado da humanidade, com a história da salvação para reintegrar as criaturas na vida plena do Reino.
O transbordar histórico da Trindade Imanente foi chamado de Trindade histórico-salvífica que configura a Missão de Deus (missio Dei). De alguma forma, o próprio Deus se auto envia por meio da missão do Filho e do Espírito, através dos quais o próprio Pai se revela como amor (cf. Jo 14,9) (Cf. SUESS, 2003 p 54-55).
Portanto, Deus é missão, isto é, a missão existe com Deus, diz respeito ao que Deus é e não, ao que Deus faz. Por tabela, a missão da Igreja não teria, a princípio, um seu por quê, não surgiria de uma necessidade histórica de sobrevivência ou de domínio, mas é um impulso gratuito, de dentro para fora, que tem como origem e finalidade a participação à vida divina (cf. DAp 348).
A Igreja é “missionária” por “essência”. O que constitui uma revolução no próprio conceito de Igreja, que procede da missio Dei. Não é mais a Igreja que envia missionários em qualidade de “missionante”, mas é ela própria enviada como “missionária”. Seu envio não é consequência da própria essência. A Igreja “é” ao ser enviada edificada, em ordem à missão.
Não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da missão de Deus. A missão é anterior de tudo, eis a mudança de paradigma. A eclesiologia, portanto, não precede a Missiologia. (BOSCH, 2002, p 446). A atividade missionária não é tanto uma ação da Igreja, mas é simplesmente a Igreja em ação. Ou como, diria Moltmann, “não é uma igreja que ‘tem’ uma missão, mas ao contrário, na missão de Cristo que se cria uma Igreja. Não é uma missão que deve ser compreendida a partir da Igreja, mas o contrário” (MOLTMANN, 1978, 26). Nisso se define a própria identidade da Igreja.
Rafael Lopez Villasenor,sx
Bibliografia
BOSCH, Missão transformadora. Mudança de paradigma na Teologia da Missão. São Leopoldo (RS): Sinodal, 2002, p. 446.
CELAM. Documento de Aparecida: texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe. São Paulo: Paulinas, 2007.
CONCÍLIO VATICANO II. Compendio do Vaticano II: constituições, decretos e declarações. Petrópolis: Vozes, 2000.
MOLTMANN, J. La Iglesia en la fuerza del Espíritu. Salamanca, 1978, p. 26.
SUESS, Paulo. Missão como Caminho, Encontro, Partilha e Envio. Perspectiva, Desafios e Projetos. In: Igreja no Brasil, tua vida é missão. I Congresso Missionário Nacional. Brasília: POM, 2003.








