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Missiologia

Dia Mundial das Missões: "Ide convidai a todos para o banquete" (cf. Mt 22, 9)


O Dia Mundial das Missões constituído em 1926, pelo Papa Pio XI, no terceiro domingo de outubro, para recordar o compromisso com a missão universal da Igreja. Por sua vez, a primeira mensagem para o Dia Mundial das Missões foi em 1963, pelo Papa Paulo VI. O lema do mês missionário desate ano é “Ide, convidai a todos para o banquete” (Mt 22,9), tirado da mensagem de Francisco e o tema “Com a força do Espírito, testemunhas de Cristo” em sintonia com o 6º Congresso Missionário Americano (CAM6), que acontecerá em novembro, em Porto Rico.

  1. “Ide e convidai!”, a missão como ida incansável e convite para a festa do Senhor

O tema da mensagem para o dia Mundial das Missões está inserido em duas parábolas, os convidados à festa de casamento do filho do rei (Mt 22,1-10) e do traje de festa (Mt 22,11-13). Depois que os convidados recusaram o convite, o rei disse aos servos: “Ide às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes”. No contexto das parábolas o Papa ilustra alguns aspectos importantes da evangelização, "tais aspectos revelam-se particularmente atuais para todos nós, discípulos missionários de Cristo, nesta fase final do percurso sinodal que, de acordo com o lema «Comunhão, participação, missão», deverá relançar na Igreja o seu compromisso prioritário, isto é, o anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo".

A missão é uma ida incansável e um convite para a festa do Senhor, para toda a humanidade ir ao encontro e à comunhão com Deus. Deus está sempre em saída para o encontro do ser humano para o chamar à felicidade do Reino, apesar da indiferença ou da recusa. Também, todo cristão é chamado a fazer parte da missão universal, levando o Senhor e Mestre rumo às “saídas dos caminhos” do mundo atual. Logo, todos os batizados somos chamados a sair de novo, segundo a própria condição de vida, em um novo movimento missionário, como nos alvores do cristianismo.

O Bom Pastor procura as ovelhas perdidas, vai além para alcançar as ovelhas distantes (cf. Jo 10,16). Por isso, a Igreja ultrapassa todo e qualquer limite, saindo incessantemente a fim de cumprir fielmente a missão de anunciar a Boa Nova. O Papa lembra que, os discípulos missionários devem realizar a missão "com alegria, magnanimidade, benevolência, que são fruto do Espírito Santo neles; sem imposição, coerção nem proselitismo; mas sempre com proximidade, compaixão e ternura, que refletem o modo de ser e agir de Deus”.

  1. “Para o banquete”, perspectiva escatológica e eucarística da missão

A imagem da salvação no Reino de Deus se realiza com a vinda do Messias e Filho de Deus, que traz vida em abundância (Jo 10,10), simbolizada pela mesa preparada com “carnes gordas, acompanhadas de vinhos velhos”, quando Deus “aniquilar a morte para sempre” (Is 25,6-8). Também o papa recorda que a missão de Cristo é missão da plenitude dos tempos: “completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15).

O caráter escatológico do compromisso missionário da Igreja, “desenrola-se entre o primeiro e o segundo advento do Senhor (…). Antes do Senhor vir, tem de ser pregado o Evangelho a todos os povos” (AG, 9). O zelo missionário, nos primeiros cristãos, tinha uma dimensão escatológica, a urgência do anúncio do Evangelho. Também hoje, é importante ter presente tal perspectiva, porque ajuda a evangelizar com a alegria de quem sabe que “o Senhor está perto” e com a esperança de quem tende para a meta, quando estivermos todos com Cristo no banquete nupcial no Reino de Deus.

Francisco recorda que, a plenitude de vida é o banquete da Eucaristia. O convite ao banquete escatológico, levado a todos na missão evangelizadora, é ligado ao convite para a mesa eucarística, onde o Senhor alimenta com sua Palavra e com seu Corpo e Sangue. Por isso, em cada celebração eucarística realiza-se sacramentalmente a unificação escatológica do povo de Deus. O banquete eucarístico é uma antecipação real do banquete final, preanunciado pelos profetas (Is 25,6-9) como “as núpcias do Cordeiro” (Ap 19,7-9), celebrada na comunhão dos santos (SC, 31). A Eucaristia deve despertar o espírito missionário em todos.

  1. “Convidai a todos”, a missão é universal e sinodal

A missão é universal em uma Igreja toda sinodal e missionária, que não exclui ninguém, todos têm lugar na mesa, maus e bons, porque Deus “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tim 2,4). Nesse sentido, todos somos enviados a anunciar o Evangelho a todos, “não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível” (EG, 14). O convite é para todos, sem ver a condição social e nem moral, “todos aqueles que encontraram, maus e bons” (Mt 22,10). Os convidados especiais são “os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos” (Lc 14,21), os últimos e os marginalizados.

O banquete nupcial permanece aberto a todos, porque grande e incondicional é o amor por todos. “Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que tudo o que n’Ele crê não se perca, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Por isso, cada homem e mulher é destinatário do convite de Deus para participar da graça que transforma e salva. Basta dizer «sim» ao dom divino gratuito, acolhendo-o e deixando-se transformar, com “traje nupcial” (Mt 22,12).  Mas, a missão para todos requer o empenho de todos, na caminhada sinodal missionária, nesse sentido, a sinodalidade é missionária e, vice-versa, na cooperação missionária seja na Igreja universal e nas Igrejas Particulares.

No fim da mensagem, o papa invoca a Maria intercessora na festa de núpcias, em Caná da Galileia (Jo 2,1-12). O Senhor ofereceu aos noivos e a todos a abundância do vinho novo, sinal antecipado do banquete nupcial que Deus prepara para todos no fim dos tempos.

Pe. Rafael Lopez Villasenor (Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária)

Acesse: Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2024 | Francisco (vatican.va)


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