"Permaneçam", afirma papa Francisco aos bispos do Norte da África

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“Suas orações, o seu sofrimento, que é o seu testemunho de vida, é muito mais importante do que a palavra que vocês poderão dizer, porque Cristo age não através de suas palavras, mas através de suas vidas”.

Com estas palavras o papa Francisco recebeu, na manhã desta terça-feira, 03, os bispos da Conferência Episcopal Regional do Norte da África (CERNA), que se encontram em Roma, para a sua visita “ad Limina Apostolorum”.

Os bispos norte-africanos, provenientes de Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia, apresentaram ao papa uma Carta pastoral intitulada “Servidores da Esperança”. O papa durante o encontro entregou-lhes um discurso, em francês, no qual, antes de tudo, agradece aos pastores da Igreja na Líbia e a todas as comunidades eclesiais norte-africanas pela sua presença corajosa em uma área, onde se manifestam grandes “explosões de violência”.

Entre os participantes no encontro estava dom Ilario Antoniazzi, arcebispo de Túnis. Eis o que ele disse à Rádio Vaticano: Para nós foi um momento muito importante e incentivador ao mesmo tempo. O papa ficou impressionado com o testemunho de Dom Martinelli, que disse que, enquanto houver um cristão na Líbia ele não vai deixar o país.

O Santo Padre insistiu muito em suas palavras e perguntas sobre os imigrantes, sobre a situação dos migrantes que partem do Norte da África, das nossas dioceses, para chegar ou à Espanha - aqueles que partem do Marrocos - ou à Itália ou em outros países. Ele se informou sobre como eles chegam, como partem, como vivem nas prisões aqueles que são detidos; o que fazemos e o que faz a Igreja local por eles. Ele nos disse claramente que somos a Igreja da acolhida, falando da Igreja do Norte da África.

E esse é ainda o sentido vivo do Evangelho: talvez nós não possamos falar muito, mas o nosso testemunho e a nossa caridade para com as pessoas é o mais belo testemunho e a mais bela pregação que poderíamos fazer. O papa nos encorajou muito, dizendo: “Permaneçam! Suas orações, o seu sofrimento, que é o seu testemunho de vida, é muito mais importante do que a palavra que vocês poderão dizer, porque Cristo age não através de suas palavras, mas através de suas vidas”. A situação dos cristãos no Norte da África é particularmente difícil.

O que está acontecendo? Temos a Líbia, onde a situação é trágica e onde os cristãos que ficaram com os nossos bispos vivem uma vida de perigo cotidiano. O Norte da África é também o Marrocos, Argélia e a Tunísia, onde o nosso testemunho é baseado em nossas vidas, onde não podemos fazer qualquer tipo de proselitismo e onde todo o nosso apostolado é dentro das Igrejas.

Mas temos muitos cristãos que são - como nós os chamamos - de passagem. Somos uma Igreja de acolhida: nós acolhemos os cristãos que vêm e são dezenas de milhares; são os estudantes que vêm estudar nas nossas universidades, são os operários que vêm trabalhar e que têm um contrato de trabalho e que não são pessoas fixas.

Mas o que nos impressiona é que, também esses cristãos, que vivem em um mundo muçulmano, quando regressam aos seus países, dizem: "Nós aprendemos muito e voltamos mais ricos cristãmente, porque vivemos com um povo mesmo sendo muçulmano, que pratica a sua fé, que é convicto em sua fé no Deus único, como o nosso, e que nos ensinou muito para colocar Deus no centro de nossas vidas”.

Existe o perigo de que na Tunísia possam chegar os milicianos do autoproclamado Estado Islâmico?

crista africanaDigamos que até agora a situação é calma e não há perigo. Eu estou na fronteira com a Líbia: eles tentaram entrar 10 dias atrás, e tivemos quatro soldados mortos ... Mas ainda estão ali.

Mais do que do EI que vemos na televisão, temos medo de um EI que entra escondido através da fronteira, porque temos uma fronteira muito longa com a Líbia, e que esteja organizando células aqui e ali e que possam causar perigo no futuro.

Mas até agora estamos tranquilos e vivemos uma vida normal na Tunísia.


Fonte: Rádio Vaticano.