Skip to main content
Faça uma doação

Faça uma doação

Os Missionários Xaverianos não dispõem de nenhuma receita a não ser o nosso trabalho evangelizador e as doações dos amigos benfeitores. O nosso Fundador, São Guido Maria Conforti, quis que confiássemos na Providência de Deus que nunca deixa desamparados seus filhos. Invocamos sobre você e sua família, por intercessão de São Guido Maria Conforti, as bênçãos de Deus.
Atenciosamente,

Redação da Família Xaveriana


Deposite uma colaboração espontânea:

Soc. Educadora S. Francisco Xavier
CNPJ: 76.619.428/0001-89
Banco Itau: agência 0255, conta corrente:27299-9
Caixa Econômica ag. 0374, conta corrente: 2665–3


O tempo da quaresma fala de conversão, de reconciliação com Deus, com a Igreja, com todos os irmãos. A Igreja oferece-nos várias possibilidades para que realizemos tal reconciliação e conversão.

"Quaresma" soa quarenta. Quarenta o quê? Quarenta anos do peregrinar de Israel pelo deserto até a terra prometida. Quarenta dias de jejum de Jesus no Monte das Tentações. Quarenta dias que separam o início da quaresma e a Páscoa. Em todo caso, quarenta refere-se a número. Número traduz a maneira humana de medir: tempo e espaço. A conversão humana necessita de tempo e espaço. A Igreja sabe bem disso. Oferece-nos este tempo - quarenta dias - e este espaço - a liturgia com orações, leituras e celebrações - para introduzir-nos na pedagogia da conversão.

A mais importante, fundamental, imprescindível acontece dentro do coração. Sem conversão do coração, qualquer sinal e rito externo fica vazio. A palavra de Deus, lida ou meditada, ouvida ou rezada, torna-se para nós, em muitas ocasiões, momento propício para tal conversão.

A conversão do coração significa mudança de orientação de vida. Ora exige-se mudança radical, quando a pessoa se encontrava visceralmente desviada do amor a Deus e ao irmão, e centrada fundamentalmente em si mesma. Ruptura dolorosa com um egoísmo profundo e centralizante. O termo "conversão" faz valer toda a força da etimologia. Muda-se de direção. A coordenada da existência apontava para o centro de si. Pela conversão, ela se direciona para o irmão, e, na pessoa do irmão, alcança o próprio Deus.

Ora trata-se de correção de rota. Nossa viagem caminha fundamentalmente para o irmão e para Deus. No entanto, as distrações do percurso nos desviam um pouco da rota. Se deixarmos, sem mais, ir seduzindo-nos por elas, pouco a pouco estaremos tomando a direção oposta e nunca chegaremos à meta almejada. Cumpre corrigir a trajetória e continuar a mesma viagem. São as pequenas e necessárias conversões, acontecidas no cotidiano de nossas falhas e desvios.

Em termos bíblicos, traduzia-se a conversão no abandono dos ídolos em direção ao Deus verdadeiro. Os ídolos personalizam as clássicas formas de egoísmo: busca exclusiva dos próprios bens materiais, prazer e poder com exclusão do irmão, sobretudo do mais necessitado. O Deus verdadeiro se experimenta no encontro com os bens, prazer e poder em vista do irmão. As realidades humanas continuam as mesmas. Lá dentro, no centro de nosso ser, processa-se a mudança de orientação e tudo se move em outra direção.
No entanto, esta conversão interior do coração não cobre todas as possibilidades que temos de vivenciá-la.

Como seres sensíveis vivemos em comunidade com os outros. Sentimos a necessidade de manifestar visivelmente as atitudes profundas do coração e assim reforçá-las. Além disso, Deus, ao conhecer a natureza humana, quis que sua salvação se manifestasse na humanidade de seu Filho. Toda a graça de Deus tem profundo movimento interno para tornar-se visível. Assim a graça do perdão tende a manifestar-se.

A maneira visível mais conhecida e praticada da conversão manifesta-se pela confissão individual. Diante do sacerdote, representante de Deus e da comunidade, manifestamos-lhe os pecados em espírito de contrição e arrependimento. E ele confere-nos o perdão de Deus no exercício do ministério que recebeu para isso.
A Igreja, desde o quinto século, tem praticado a forma da confissão individual, auricular. Ela nasceu da experiência pedagógica de seus benefícios depois de um momento em que toda confissão era pública, mais rara, mas muito pesada e exigente.

Depois do Concílio, nossas comunidades têm vivenciado outro tipo de expressão do mesmo sacramento, com muito fruto espiritual, a saber, a confissão comunitária. Tem todos os elementos fundamentais do sacramento: arrependimento e contrição de nossos pecados, manifestação de nossa situação de pecadores comparecendo à celebração e o ato do sacerdote que absolve os pecados. Substitui-se a confissão individual e sua ajuda especial pela orientação dada a todos na celebração.

Sem ter o mesmo sentido de sacramento da reconciliação, em cada celebração da Eucaristia, há um momento de perdão. A Eucaristia também nos atualiza o perdão já que se apresenta a Deus Pai o sacrifício de Jesus pela remissão de nossos pecados. Falta-lhe a ajuda e intervenção específica da Igreja, própria do sacramento da penitência. Por isso, os cristãos, mesmo que recebam verdadeiramente em cada celebração da Eucaristia o perdão dos pecados, procuram a confissão individual ou a celebração comunitária em busca de uma ajuda apropriada e específica, selada por uma graça e presença especial de Deus.

Cada pequeno pedido de perdão sincero ao irmão, que ofendemos no nosso cotidiano, vem também acompanhado da graça perdoante de Deus. Deus está sempre a oferecer-nos inúmeras possibilidades de conversão e de graça. A quaresma se tona a ocasião propícia e privilegiada.

João Batista Libânio


Artigos relacionados

Teologia
Estamos próximos do tempo de Quaresma, tempo de conversão, tempo marcado pela penitência, pela oraç…
Teologia
Ao celebrarmos os 40 anos da III Conferência  dos  Bispos da América Latina, realizada em…
Teologia
O mês da Bíblia de 2019, tem como tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida”, a partir da prime…
Teologia
Estamos vivendo a crueldade da pandemia do covid-19, que ceifou mais de 300 mil vidas no Brasil. Re…