Pentecostes, é o envio à missão!

A festa de Pentecostes é o começo da Igreja e da missão. O Espirito Santo desce sobre a comunidade reunida em Jerusalém em forma de fogo, línguas e vendaval. Ilumina os discípulos e os torna missionários.
A vinda do Espírito Santo se dá no dia de Pentecostes. Os textos bíblicos mostram que, como a missão de Jesus nasce pelo Espírito Santo no dia do Batismo no Jordão, para a comunidade a missão surgem pelo mesmo Espírito no dia de Pentecostes em Jerusalém, 50 dias após a Páscoa. Festa da colheita e da conclusão da Aliança ao pé do Monte Sinai na qual o povo ia em romaria para Jerusalém (Ex 23,14-17; Dt 16,16).
Encontramos três símbolos que significam a ação do Espírito (At 2,2) vento, línguas e fogo. O vento evoca a ventania que secou o Mar Vermelho e permitiu a travessia do povo de Israel (Ex 14,21). As línguas recordam a confusão da Torre de Babel, que agora é superada (Gn11,9). O fogo lembra a conclusão da aliança do povo no Monte Sinai (Ex 19,16-19). Também, no dia de Pentecostes o povo estava reunido, iniciando um novo Êxodo, uma nova Aliança, uma nova comunidade eclesial, uma nova humanidade, um novo começo e uma nova história.
A missão da Igreja dá início com a comunidade reunida no cenáculo. O Espirito transforma os Apóstolos de medrosos (Jo 20,19) em valentes, que abrem as portas e enfrentam o mundo (At 2, 14). Antes viviam conformados com a morte de Jesus (Lc 24,20), agora obedecem a Deus e não aos homens (At 5,29). Antes Pedro negou Jesus (L 22, 56) agora dá testemunho diante da multidão (At 2,32). Enfim, após a vindo do Espírito Santo os Apóstolos são transformados, deixam de ser medrosos e se tornam autênticos missionários. Pedro toma a iniciativa e faz um longo discurso explicando os prodígios de Deus ao longo da história.
O Espirito Santo é como o vento, como o ar (Jo 3, 8), é a alma da igreja e da missão. Enche a imensidão da terra (Sb 8,1). Está em todos como hálito da vida (Gn 2,7). Ele é a força da nossa vida; é quem anima e fortalece a Igreja à missão. É o mesmo Espírito que acompanha na história a missão, até o fim dos tempos. A partir de Pentecostes, o anuncio da Boa Nova se acentua com de três características fundamentais, é um movimento animado pelo Espírito Santo, um movimento missionário e um movimento de pequenas comunidades domesticas. A missão é parte integrante da identidade da comunidade eclesial, é a razão de ser Igreja.
O sopro do Espirito sobre os discípulos comunica a missão e dá continuidade à ação de Jesus (Jo 20,21). Pelo Espírito os Apóstolos são testemunhas perante o mundo (Jo 15,26s). Diante deste testemunho, acontece com eles, o mesmo que sucedeu a Jesus, alguns aceitam e dão adesão ao Reino de Deus, outros endurecem, tendo uma atitude hostil, rejeitando o amor de Deus, chegando inclusive a lhes dar a morte em nome de Deus (Jo 15,18-21; 16,1-4).
A força do Espirito Santo está presente na formação e coordenação das comunidades, na missão dos discípulos que vão anunciar a Boa Nova (At 13,4). Os acompanha nas viagens missionárias (At 16, 6-7). Ele é o protagonista de toda a missão (RM, 21). Continua na Igreja e através dela, a missão salvífica de Jesus. Só podemos ser missionários se nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo.
É o Espírito Santo age e inspira o missionário que anunciam o Evangelho. Ele chega antes do missionário, prepara o terreno dos ouvintes que recebem a mensagem (At 10, 44). O Espírito Santo vem iluminar, fortalecer, instruir, aconselhar a mensagem. Ele faz brotar “as sementes do Verbo”. O missionário não pode sair, nem ser enviado, sem a força do Espírito que o antecede.
Este ano diante do covid-19, vivemos a festa de Pentecoste de maneira diferente, sem aglomerações, sem grandes manifestações nas Igrejas, mas nem por isso deixa de ser menos importante e solene. Porém, surge a pergunta, porque Deus fica calado diante da situação? Onde está o Espírito de Divino em tempos de pandemia? Ele se faz presente na missão dos médicos e agentes de saúde, dos cientistas que buscam vacinas contra o vírus, na missão de todos nós que, colaboramos e ajudamos a solucionar a situação ficando em casa como uma forma de nós cuidar e de ser solidários, enfim Deus está presente na oração e na difusão da Esperança.
Rafael Lopez Villasenor, sx








