Maria Madalena, Apóstola dos Apóstolos!

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Estamos no tempo da Páscoa, celebramos a Ressurreição de Jesus. Este evento nos faz pensar sobre as atitudes de Maria Madalena, primeira discípula missionária. Ao experimentar o encontro com Cristo Ressuscitado, sai apresada para anunciar o Cristo vivo. Do mesmo modo, nós somos convidados a experimentar na nossa vida o Cristo Ressuscitado e Glorioso, fonte da nossa esperança, e fortaleza para cumprir a missão que nos foi confiada (cf. EG 275).

Maria Madalena formava parte dos discípulos de Jesus, era do círculo dos Apóstolos/as. Segundo a tradição da Igreja, nos primeiros séculos, recebeu o título “apostola apostolorum”, ou seja, “apostola dos apóstolos”. Liderou as comunidades em direção a experiência do Ressuscitado. Ela teve grande destaque na história da Igreja e na formação das comunidades cristãs no primeiro século.

Entretanto, ao longo dos séculos passou a ser vista também como prostituta. Esta associação nasce a partir do ano de 591, na homilia do Papa Gregório, o Grande, que apresentava Maria Madalena como uma prostituta arrependida, talvez porque nessa época havia dificuldade em aceitar a liderança das mulheres. Está claro, que as acusações moralistas deslegitimam as pessoas de qualquer autoridade e liderança.

Jesus MadalenaA Bíblia não fala dela como prostituta. Para justificar, tal preconceito é identificada de forma injusta com a mulher pecadora (Lc 7,36-50). O evangelho afirma que Jesus expulsou de Maria Madalena sete demônios (Lc 8,1-3). A expressão “sete demônios”, é o número da plenitude, pode indicar um gravíssimo mal físico ou moral, que a tinha atingido e que Jesus a liberta. Portanto, ela alcançou a plenitude do perão, da graça e a libertação de todos os males. Contudo, fica claro que fazia parte dos discípulos, era uma das mulheres que ajudava Jesus prestando-lhe assistência com os bens.

No Calvário os apóstolos abandonaram Jesus: Judas o traiu, Pedro o negou três vezes, os outros fugiram, mas as mulheres e o discípulo amado permaneceram fiéis até o fim. A mãe de Jesus, a irmã dela, Maria mulher de Cléofas e Maria Madalena ficaram junto à cruz (cf. Lc 19, 25). É a discípula fiel que acompanha Jesus até a cruz, junto com outras mulheres. Está presente quando José de Arimateia coloca o corpo de Jesus no sepulcro.

Jesus ressuscitado aparece em primeiro lugar a Maria Madalena (Mc 16,9-11). Ela foi junto com Maria, mãe de Tiago e Salomé a comprar perfume para embalsamar o corpo de Jesus (Mc 16,1), ao chegar ao sepulcro, de madrugada, quando ainda estava escuro (Jo 20,1-18), a pedra havia sido removida. Ela sai e anuncia aos discípulos: ‘Eu vi o Senhor’, conta o que Jesus tinha dito (Jo 20, 16-18), porém, os discípulos não acreditaram nas mulheres.

Naquele tempo, na cultura dos Judeus, apenas o testemunho dos homens era válido, por isso, os dois discípulos vão ao tumulo: Pedro e João. Também existiam rumores que os próprios discípulos haviam roubado o corpo de Jesus, para espalhar a notícia de que ele havia ressuscitado. O fato de Jesus ter aparecido primeiro a Maria Madalena, torna o relato da ressurreição ainda mais aceitável.

Logo, Maria Madalena é a primeira discípula missionária, apóstola que anuncia a alegre mensagem central da Páscoa. Torna-se anunciadora luminosa do Ressuscitado. Expressa a atitude que gerar vida, uma vida como filhos de Deus, (Rm 8, 29).

A Ressurreição é a afirmação que a morte não é um fracasso, mas o caminho para a para a vida eterna; o túmulo não é o lugar da morte, e sim o caminho para o encontro com o Deus da Vida. Para o cristão a morte não interrompe a vida, porém a transforma. A ressurreição torna-se afirmação da vida e rejeição de todo tipo de morte.

A Ressurreição é primazia da vida sobre a morte, é afirmação à vida corpórea dos pobres sobre todo tipo de morte e de opressão. É a esperança da vida plena e do futuro para os crucificados da história que buscam vida em abundância (Cf. Jo. 10,10).

Somos convidados a anunciar o Ressuscitado, igual que Maria Madalena. Como comunidade devemos discernir o caminho que o Senhor nos pede: “sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20).  “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! (...) prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (EG 49). O processo de saída implica também um processo de entrada e de aproximação para anunciar o Cristo Vivo.

A comunidade cristã em saída, igual que Maria Madalena, abre os corações aos clamores de todos os povos e da criação que interpela. É uma comunidade serva, anunciadora da Vida plena que, acredita no impossível, no sonho e na loucura do Deus da Vida; crê na missão de sair, ir ao encontro, entrar na casa e no coração das pessoas. Uma comunidade em saída é missionária, pobre solidária e destemida, que coloca no centro do agir o Reino de Deus. Tomara que todas nossas comunidades sejam discípulas missionárias que anunciam a Boa Nova do Ressuscitado.

Rafael Lopez Villasenor, sx