Advento, tempo de espera!

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O Advento (do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a") é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz.

No calendário litúrgico este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.

A primeira referência ao "Tempo do Advento" é encontrada na Espanha, no ano 380. Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. No final do século IV na França e na Espanha, tinha caráter ascético com jejum, abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma. Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecumenos para o batismo na festa da Epifania. Só no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico, do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.

A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.

Advento é um tempo forte na Igreja em preparação ao Natal. Tem duas características, marcadas por dois momentos. O primeiro vai do primeiro domingo do Advento até o dia 16 de dezembro. Neste primeiro momento, a liturgia nos fala da segunda vinda do Senhor no fim dos tempos, a chamada escatologia cristã, aí presentes os temas do julgamento final, da vigilância, da missão de João Batista. Costuma-se chamar esse primeiro momento de Advento escatológico. Já o segundo momento vai do dia 17 ao dia 24 de dezembro. É como que a "semana santa" do Natal. Nesse período, conhecido também como advento natalício, a liturgia vai nos falar mais diretamente da primeira vinda do Senhor, no Natal, tendo aí presente sempre a Virgem Maria.

No Advento temos quatro domingos, o terceiro (a cor litúrgica pode ser violeta) chamado "da alegria" já por ele como que antecipando as alegrias do Natal. Podemos dizer que os quatro domingos simbolizam também as quatro estações do ano solar e as quatro semanas do mês lunar. Aqui se pode ver a harmonia entre tempo histórico e tempo cósmico, principalmente quando vistos à luz do tempo litúrgico.

Três personagens bíblicos marcam o tempo do Advento, como se vê pelos textos bíblicos da liturgia. São eles: o profeta Isaías, São João Batista e a Virgem Mãe de Deus. Não é o Advento tempo penitencial, no sentido próprio e litúrgico, mas tempo de vigilância, de expectativa, de moderação, de sobriedade e de esperança. Por isso, a cor roxa não é muito apropriada para o Advento, podendo ser substituída pelo azul claro ou violeta.

Nos domingos do Advento canta-se o Aleluia, mas não se canta o Glória. O fato de cantarmos o Aleluia mostra o caráter não penitencial do Advento, caráter que predominou no passado, tendo ressonâncias ainda hoje com a cor roxa, oficial, mas que, ao que tudo indica, será mudado no futuro. Já a omissão do Glória explica-se pelo comentário oficial às Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário, quando diz: “no Natal, o canto dos anjos deve ressoar como algo de inteiramente novo”. Se cantássemos então o Glória no Advento, no Natal tal canto não seria novidade.

O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.

A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão. Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia (volta) do Senhor.

Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Maranatha"! Vem Senhor Jesus!