A Igreja na América Latina

  • Rafael Lopez Villasenor
  • Teologia
0
0
0
s2smodern
0
0
0
s2smodern
powered by social2s

Cristóvão Colombo chegou ao continente em 1492, pensado que tinha  chegado para a Índia. Junto com os colonizadores chegaram também os missionárias. Veio junto a cruz e a espada. Os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, a colonização não começou logo, o Portugal tinha pouco interesse nas americanas, voltava atenção para o comércio com o Oriente.

O nome “Brasil” começou a aparecer em 1503, devido ao pau-brasil. Os portugueses encontraram uma população indígena heterogênea em termos culturais e linguísticos.

Desde sua fundação, o Brasil teve o catolicismo como religião oficial através do regime do padroado, criado através de um tratado entre a Igreja Católica e os Reinos de Portugal e de Espanha. A Igreja delegava aos monarcas destes reinos ibéricos a administração e organização da Igreja Católica em seus domínios. O rei por sua vez, mandava construir igrejas, nomeava os párocos e os bispos, que eram depois aprovados pelo Papa. A estrutura do Reino de Portugal e de Espanha tinha não só uma dimensão político e administrativa, mas também religiosa.

Com a criação do Padroado, muitas das atividades características da Igreja Católica eram, na verdade, funções do poder político.

Nessa época, admitia-se, por exemplo, somente a imigração daqueles que se declarassem católicos, exigindo que indivíduos de outras confissões religiosas, como os judeus e os africanos fossem batizados para poderem se estabelecer no território nacional. O catolicismo era a única religião tolerada no País, era a religião oficial, e a fonte básica de legitimidade social. Para se viver no Brasil, mesmo sendo escravo, e principalmente depois, sendo negro livre, era indispensável, antes de qualquer coisa, ser católico.

Durante muito tempo nacionalidade e opção religiosa estiveram intrinsecamente ligadas. Os membros do clero eram funcionários públicos e o juramento católico era incutido em toda colação de grau de nível superior. No caso Brasileiro, com o fim do padroado e advento da República o catolicismo deixa de exprimir oficialmente a sociedade brasileira. Na atualidade a Igreja Católica presença histórica na sociedade, amarga verdadeira diáspora interna deixando expostas contradições profundas. A primeira Constituição do Império do Brasil de 1824, afirmava o catolicismo como religião oficial; como parte da herança do padroado na colônia portuguesa; existia a identidade de crença e de nacionalidade, ser católico era igual a ser brasileiro.

A primeira diocese foi do Salvador (Bahia) em 1551 e a segunda do nordeste foi em 1854, Fortaleza (Ceará). Até 1745 o Brasil contava apenas com 9 dioceses (1 Amazônia, 3 Sudeste, 3 Nordeste, 2 Centro Oeste, 0 no sul). A primeira diocese do sul, Porto Alegre, é criada em 1848. A pós o fim do padroado foram criadas a maioria das dioceses (1890). Em 1930 já eram 80 dioceses. O Brasil tem atualmente 41 arquidioceses e 210 dioceses.

A I Conferência Geral foi realizada no Rio de Janeiro, de 25 de julho a 4 de agosto de 1955, com o tema central, "Vocações e instrução religiosa”.  Precedida pelo XXXIV Congresso Eucarístico Internacional, celebrado no Rio de Janeiro do dia 17 a 24 de Julho. Foi fundado o CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano). O que significou a tomada de consciência da Igreja de que a AL é marcada por uma realidade similar e que necessita de uma ação conjunta da Igreja. A Conferência parte da realidade sócio-religiosa da Igreja. Por isso, foi feito um levantamento da situação de cada diocese. Acentuando os inimigos do catolicismo como a falta de clero e o avanço do pentecostalismo, vivia-se ainda num clima de confronto e de polêmica nas relações entre as Igrejas cristãs, de modo particular, entre católicos e protestantes.

O objetivo principal era “aumentar o clero, combater os inimigos da Igreja” os quais seriam a “maçonaria, os protestantes, o laicismo, a superstição, o espiritismo, a ignorância religiosa e as doutrinas perversas que se apresentavam sob o falso pretexto da justiça social”.  A Conferência do Rio via o protestantismo, o espiritismo, a maçonaria e as seitas como movimentos anticatólicos, vistos como ameaça à tradição católica e tratados sob o prisma da preservação da fé e de sua defesa. O documento do Rio foi entregue só aos bispos no ano seguinte, em 1956, e se tratava de um texto manuscrito. A principal preocupação é o acento pela situação dos evangelizadores, particularmente a falta de clero e os inimigos do catolicismo. No contexto de um chamado à intensificação da vida cristã, a proposta foi impulsionar uma campanha vocacional, ao mesmo tempo, intensificar os meios de formação na fé.

A Igreja Católica apoiou no início do governo militar como combate à ameaça do Comunismo, com sua crença ateísta, e ao crescimento inerente dos movimentos de esquerda durante a década de 1960.  As mudanças políticas do pós-64, com as violações aos direitos humanos, repressões contra diversas instituições e a censura midiática, levaram aos bispos e clérigos a adotarem medidas mais progressistas. Em 1968 o governo definitivamente mostrou a que veio e em dezembro daquele ano institucionalizou o AI-5. A Igreja toma nova postura a partir do Concílio Vaticano II (realizado entre 1962-1965), sob a tutela do Papa João XXIII; e a necessidade de adotar uma nova visão, devido à desmoralização da Igreja.

Outro episódio foi a II Assembleia Geral do Conselho Episcopal Latino-Americano, realizada em Medellín, em 1968.  A Conferência surgiu no intuito de aplicar as mudanças indicadas pelo Concílio Vaticano II às necessidades da Igreja Católica da América Latina. Contou com a presença de Paulo VI. Três foram as propostas principais: a opção pelos pobres, no sentido de a igreja defender os direitos e denunciar as injustiças; a libertação integral, o que implicava em críticas ao capitalismo; A escolha das comunidades eclesiais de base (conhecidas como CEBs).

Uma grande força foi a Teologia da Libertação, criada desde 1952, mas que tomou vôos maiores a partir do final da década de 1960, com o recrudescimento do regime militar. Esta igreja libertadora pensava na defesa dos oprimidos e contra a fome, além disso, lutavam pelo direito à propriedade privada, pelo desenvolvimento social, pelos direitos humanos.  A Teologia da Libertação entende que a igreja deve caminhar ao lado dos oprimidos, deve ver a realidade a partir da ótica dos pobres, unindo a fé e a prática pastoral.

Os Mártires e Profetas do Continente deixaram um rastro indelével na consciência e no espírito das comunidades da Igreja Povo de Deus.

As vozes proféticas  são o clamor sereno e digno do povo, como Dom Oscar Romero, quando, diante das ameaças à sua vida, declarou: “Se me matarem, ressuscitarei na luta do meu povo”. Eles são sementes que morrem para dar seu fruto, são o caminho da salvação e da esperança de que “outro mundo é possível”, de que as comunidades eclesiais de base são fermento que geram vida e liberdade.

A terceira Conferência Geral aconteceu na cidade mexicana de Puebla, de 28 de janeiro a 12 de fevereiro de 1979. O tema proposto foi: "A evangelização no presente e no futuro da América Latina"  A data original deveria ser de 12 a 18 de outubro de 1978, mas com a morte de Paulo VI e de João Paulo I e como a eleição de João Paulo II uns dias antes da data proposta, a Conferência foi adiada para início do próximo ano. O Papa se fez presente na abertura dos trabalhos.  A Conferência mostrou claramente que as propostas de Medellín tinham sido muito frutíferas. Aparece uma forte consciência da identidade própria da Igreja Católica na América Latina.  Uma Igreja engajada, preocupada com o povo, com clareza dos desafios que devem e estão sendo assumidos. “Comunhão e participação” é a expressão utilizada em Puebla para definir o método da ação evangelizadora.  A marca da conferência foi a coragem de expressar a necessidade de a Igreja Católica ter opções preferenciais: pelos pobres e pelos jovens. Impulsionaram a ação da Igreja Católica em seu engajamento social, político, econômico.

A Quarta Conferência teve lugar em Santo Domingo, na República Dominicana, de 12 a 28 de outubro de 1992. O tema da Conferência foi: “Nova Evangelização, Promoção Humana e Cultura Cristã”. Celebrava-se o V Centenário do início da evangelização da América Latina. Contou com a presença de João Paulo II. A Conferência representou uma espécie de balanço da ação evangelizadora. Veto-se o uso da metodologia tradicional do ver-julgar-agir.   Em torno desta conferência, muitas foram as análises críticas feitas à ação do cristianismo na América Latina nos cinco séculos.  O cristianismo reconheceu sua parcela de responsabilidade pela situação de opressão, pobreza e injustiça, que marca a realidade latino-americana. O cristianismo não foi suficientemente cristão.  A nova evangelização, a promoção humana e a inculturação do Evangelho marcam a discusão do encontro. A inculturação: é necessário que a ação da Igreja leve em consideração a diversidade cultural e suas riquezas. A contribuição das culturas indígenas, afro-americanas e mestiças foram destacadas.

A V Conferência de Aparecida aconteceu de 13 a 31 de maio de 2007, na cidade de Aparecida do Norte (SP). O tema central foi “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele todos os povos tenham vida - ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’”. A visita do Papa Bento XVI ao Brasil, de 9 a 13 de maio, teve vários eventos com os católicos, como o encontro com a juventude, a canonização de Frei Antônio Galvão em São Paulo, primeiro santo nascido no Brasil. O encontro, na Fazenda da Esperança e finalmente, o ponto que representa a finalidade primária da viagem, o encontro com os bispos que participam na V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e no Caribe.

O contexto da Conferência foi marcado fortemente por atores externos, já que a da metade dos integrantes da assembleia não eram bispos, os quais falaram muito e foram ouvidos embora não pudessem votar. Foi a primeira assembleia realizada com presença de celulares e internet, o que globaliza e facilita as informações. O contato com atores externos foi constante. Também, houve iniciativas significativas, como o seminário Latino-americano de Teologia da Libertação realizado de 18 a 20 de Maio na cidade vizinha de Pindamonhangaba, a tenda dos “Mártires da caminhada” montada durante a Conferência nas margens do rio Paraíba do Sul, periferia da cidade, que acompanhou os trabalhos da Conferência, lugar em que foi encontrada a Imagem de Nossa Senhora Aparecida.

As CEBs, juntamente com as pastorais sociais, caminharam, na noite de 19 de maio, em Romaria, da cidade de Roseira com paradas para refletir e resgatar as opções das Conferências anteriores, para manter viva a memória do que já fora conquistado, devendo ser atualizado e incorporado ao projeto de Aparecida. Foi a primeira vez que uma Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe realizou-se num santuário de devoção popular. Também os bispos não ficaram isolados, foram hospedados em hotéis modestos, rompendo o isolamento durante as celebrações eucarísticas tinham contato com o povo, assim sentiram a experiência da fé e piedade do povo pobre em Romaria no Santuário de Aparecida.

Rafael Lopez Villasenor.