O Reino de Deus centro do anúncio de Jesus

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O ministério e a vida pública de Jesus têm início com o seu batismo realizado por João. Este evento, particularmente trinitário, manifesta a missão recebida de Jesus pelo Pai no Espírito. Com Jesus, o Reino de Deus chegou.

Assim, a categoria Reino de Deus é o tema que define e reassume a missão e a atividade de Jesus. Mas, o que ele quis dizer com estas palavras? O reino de Deus é um símbolo que tem suas raízes na experiência histórica particular de Israel e tem força expressiva, sobretudo para os que compartilharam essa experiência. Quando Israel se tornou uma monarquia, esta era diferente da dos seus vizinhos, pois até os reis sempre permaneceram sujeitos a Javé, que lhes dera o reino e a quem o reino pertencia.

Para os contemporâneos de Jesus, a vinda do reino significava algo que endireitaria tudo aquilo que destoava do projeto de Deus. Portanto, funcionalmente, a vinda do reino é o que traz realização (como povo e como indivíduos) e resolve o problema do mal. Sendo funcional, ela deixa em aberta a questão posterior sobre o que é especificamente a vinda do reino, ou seja, o que atende esta definição e realiza esta tarefa.

João Batista

Tanto Jesus quanto João Batista inicia o ministério anunciando um tempo próximo e propício para a conversão. João tem consciência de que foi enviado por Deus para preparar o caminho Daquele que promoveria a salvação da humanidade. O discurso de João é ferrenho e exige a conversão do coração a Deus para acolher o Reino. Aquilo que João Batista aponta, Jesus o realiza de maneira plena e acabada.

O reino expresso em palavras: as parábolas de Jesus

As parábolas de Jesus indicam que, à medida que se aproxima, o reino é algo que subverte, mina e abala os mundos que construímos na desigualdade e na aparente "vontade" de Deus. As parábolas despertam uma experiência antecipada da vinda do reino e Jesus simbolizou essa experiência com o que ele acreditava realizaria autenticamente os seres humanos e resolveria o problema do mal.

O reino expresso em atos: os milagres de Jesus

O que se entende por milagre? Num primeiro momento, é algo inexplicável que viola as leis da natureza: a intervenção divina direta produz um milagre. Esse entendimento defronta-se com uma série de objeções: alguma coisa é milagre se não puder ser explicada; passar da afirmação de que algo é inexplicável para a afirmação de que foi Deus que causou aquilo envolve um salto; Deus existe no centro da realidade, não nas margens da explicação científica (Deus das lacunas). Um modo alternativo de compreensão de milagre sugere um evento extraordinário que traduz um significado religioso, sendo este o fator que torna o evento extraordinário um milagre.

Existem razões para afirmar que com toda a probabilidade Jesus curou pessoas e expulsou demônios; mas, os assim chamados milagres da natureza não precisam ser excluídos.

Ao realizar os milagres, a preocupação de Jesus era a proximidade da vinda do reino. No contexto da vinda do reino, isso significava libertação da opressão e vitória sobre o mal: curando pessoas e fazendo exorcismos, Jesus evocava experiências antecipadas da vinda do reino.

A companhia que Jesus escolheu

O mundo da época de Jesus é altamente estruturado, a saber: saduceus, fariseus e a elite sacerdotal no Templo; fora deste, essênios, zelotas, publicanos, as mulheres, pobres etc. Havia uma clara linha divisória que separava aqueles com os quais era aceitável associar-se daqueles cujas companhias tornavam impuro.

Jesus surge no meio de todas as pessoas, proclamando a aproximação do reino de Deus. Pela companhia em que vivia, atacava essa linha divisória que separava o mundo de seu tempo.

Com Jesus, esses impuros (publicanos, mulheres, pobres, enfermos) experimentam uma sincera aceitação humana. Nessa experiência, Jesus permite uma visão, ainda limitada, da realidade simbolizada como vinda do reino de Deus. Essa vinda é a vinda de Deus como Deus do universo.

A resposta positiva à vinda do Reino: metanóia

A palavra metanóia, derivada da língua grega, significa mudança de mentalidade, mudança da maneira de pensar. Hoje em dia, metanóia é mais comumente traduzido por conversão. Na verdade, pelos milagres e pelas parábolas, que desvelavam uma experiência nova, Jesus tinha a expectativa da mudança de atitude, de comportamento, de mentalidade e uma busca ardorosa pelo Deus que ele mesmo revelara.

E o próprio Jesus? Ele sabia?

Como qualquer judeu do século I, Jesus deve ter assimilado a religião do seu povo simplesmente crescendo. O seu Deus era, naturalmente, IHWH. Através da sua experiência religiosa, começou a dirigir-se a esse Deus como Abba, que significa pai, em sentido íntimo.

O evangelho afirma que Jesus crescia em estatura, graça e sabedoria, isto é, um crescimento normal.

Por isso, a consciência de sua divindade foi sendo assimilada aos poucos, à medida que se relacionava intimamente com o Abba. Assim sendo, a experiência do Abba de Jesus pode ser a maneira como a filiação divina foi registrada na sua consciência humana. Convém notar que a experiência Abba não prova a doutrina da divindade de Jesus, mas antes, à luz dessa fé, o dado histórico da experiência Abba ganha um sentido mais profundo.