EUCARISTIA CENTRO DA ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA

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O Concílio Vaticano II, no decreto sobre o ministério e a vida sacerdotal, afirma: «Todos os Sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e as obras de apostolado, estão estreitamente unidos à Sagrada Eucaristia e para ela estão ordenados».

A Lumen Gentium já tinha proclamado a Eucaristia: «Fonte e ápice de toda a vida cristã». A Ad Gentes retoma o discurso da centralidade de Eucaristia, e depois também a RM. Conforti não se inspirava certamente nos textos do Concílio Vaticano II, mas a centralidade de Cristo na Eucaristia como alma da espiritualidade missionária é bem documentada pelas suas numerosas intervenções a propósito da Eucaristia e do seu exemplo.

Para Conforti, Cristo não é uma ideia, um conceito, mas sim uma pessoa «viva», que pode ser hospedada na mesma casa.

Ele crê firmemente, e isto pode ser observado a partir dos seus comportamentos, que Cristo está realmente presente na Eucaristia. No discurso que ele, como Presidente da União Missionária do Clero, proferiu em Palermo por ocasião do Congresso Eucarístico Nacional Italiano (Discurso muito apreciado pelo Cardeal Roncalli, que o conservava sempre na sua mesa de trabalho), sublinha: «Mas onde está Jesus Cristo? Está no Sacramento Eucarístico. E é precisamente a Eucaristia o meio mais eficaz deixado por Ele à sua Igreja, para atrair a Si todos os povos e exercer a sua ação salutar: ele é, por excelência, o vínculo da unidade católica».

Guido Maria Conforti foi certamente uma grandiosa alma eucarística e Cristo é aquela Pessoa viva e presente que ele pode ouvir, tocar e ver no Sacramento da Eucaristia. Cristo presente na Eucaristia torna-se assim o centro dos seus pensamentos e dos seus afetos, precisamente como ele desejava que o fosse também para os seus filhos missionários: «E Jesus Sacramentado, por quem somos Sacerdotes e Apóstolos, seja sempre o centro dos nossos pensamentos e dos nossos afetos. É no Santo Tabernáculo que nós devemos renovar todos os dias as nossas forças, para trabalhos sempre novos».

A espiritualidade missionária, para Conforti, tem como seu centro a Eucaristia:

«A Eucaristia é vida, e o Apostolado vive desta vida divina. E do mesmo modo que cada vida é energia, e a energia se irradia influenciando as realidades ao nosso redor, assim a vida que para o Missionário da Eucaristia haure o seu alimento, tem imensas palpitações, e para ela uma paróquia, um povoado, uma cidade, uma nação representam um limite muito angusto. Ele deseja levá-la para além dos mares, para junto de povos infiéis, para mil e milhões de homens que ainda não conhecem nem amam Jesus Cristo».

A união íntima com Cristo na Celebração eucarística, que se consome na Comunhão no Corpo e Sangue de Cristo, permite ao missionário fazer próprio e continuar o projeto salvífico do Pai, assumindo as «imensas palpitações» e sem limites de espaço e de tempo de Cristo. O testamento que Cristo deixou aos seus apóstolos e discípulos é claro (cf. At 1, 8): devem tornar-se suas testemunhas, até aos extremos confins da terra. O apostolado consiste exclusivamente em levar Cristo aos outros, pois Ele está sempre ao nosso lado, sobretudo na Eucaristia. É a união com Cristo, vítima de amor, que impele o missionário a tornar-se ele mesmo vítima de amor e a sacrificar tudo, até ao martírio, para dar continuidade à sua missão.

Para Conforti a missão é exclusivamente anúncio de Jesus Cristo, um Cristo presente e vivo no meio de nós, no Sacramento da Eucaristia.

As obras caritativas não podem ser senão sinal e efeito daquele amor, que torna Cristo presente em nós. Na união com Ele na Eucaristia, todos os fiéis se sentem parte de um único corpo e, portanto, plenamente solidários uns para com os outros e, de modo especial, com aqueles que no Corpo de Cristo mais sofrem e mais são marginalizados: «O segredo da vitalidade das nossas Missões deve ser procurado na Eucaristia. Escolas, colégios, catequistas, hospitais, dispensários farmacêuticos e orfanatos são indubitavelmente meios de penetração, mas sem a Eucaristia também estes meios não dariam frutos de vida eterna… Por conseguinte, a Eucaristia é a força, a vitalidade das nossas Missões».

Conforti vê na participação no banquete eucarístico o motivo mais autêntico para sentir que a humanidade é uma família feita de irmãos e irmãs que têm a mesma dignidade, para além da raça, religião e condição social: «É no banquete eucarístico que nós deveríamos ter mais forte do que nunca o sentimento daquela fraternidade universal que para cada cristão é um dever imprescindível e, pensando nos numerosos dos nossos irmãos, segundo a carne, que não têm a ventura incomparável de participar connosco na mesa dos Anjos e de saborear as nossas mesmas delícias, deveríamos experimentar uma sensação de profunda tristeza»

A união com Cristo Eucarístico confere-nos um coração novo, o Coração do próprio Cristo, que faz suas «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem», a começar por aqueles que vivem connosco, ou perto de nós, embora não possamos pensar unicamente nestes últimos.

PE. G. CAMERA, SX.