Missão: o transbordar do Amor de Deus

“O amor de Cristo nos impulsiona”: com esta frase Paulina, e tipicamente xaveriana, pode-se resumir a assembleia missionária regional (Pará e Amapá) que aconteceu nos dias 12-13 e 14 de abril na sede da CNBB Norte2 em Belém e que juntou mais de quarenta representantes das várias dioceses e forças missionárias deste regional.

 

Entre os muitos participantes destaca-se a presença do conselho missionário seminaristas (COMISE) e a vida religiosa (CRB): duas forças emergentes nesta última assembleia. A assessoria do pe Antônio Niemiec do conselho missionário nacional (COMINA) e do dom Bernardo, bispo referencial missionário e presidente da CNBB N2, foram de grande ajuda para o desenvolvimento dos temas enfrentados: espiritualidade e mística missionária, mês missionário extraordinário e plano missionário nacional. Mais escondida, mas fundamental, foi a coordenação executiva do COMIRE N2 que desde fevereiro está trabalhando para este evento: uma equipe colegiada composta de seis pessoas, cada uma representando uma força missionária: IAM, JM, SMP, REPAM e Xaverianos. A comunhão entre nós, cultivada desde o começo dos trabalhos, foi a força que nos animou o tempo todo: não foi somente trabalho, foi missão, foi experiência do Ressuscitado entre nós, foi um grande retiro quaresmal de conversão. Num mundo individualista onde cada um cuida somente do seu quintal, trabalhar em rede, juntando forças vivas do território, em comunhão entre nós e com a Igreja inteira, este é o caminho a ser percorrido para ser profetas de esperança hoje. Entre momentos de espiritualidade, formação, reflexão, animação e convívio, a assembleia missionária do regional norte dois, se comprometeu de trabalhar juntos na implantação dos conselhos missionários diocesanos em comunhão com o plano missionário nacional que está sendo aprovado pelos bispos do Brasil.

Esta assembleia, além de ter me ensinado o valor da comunhão, da sinodalidade e do trabalho em rede, me transmitiu também outro valor que cada um de nós deve vivenciar para ser missionário; este valor chama-se “docilidade – adaptação”. A assembleia, segundo os planos da coordenação executiva, era para ser realizada em Abaetetuba, uma cidade vizinha, ligada a Belém por vários pontes e barcos; mas nestes dias aconteceu que uma ponte caiu bloqueando assim o acesso pela terra firme; a nossa primeira reação, como coordenação organizativa, foi de muita preocupação pelo fato que não tínhamos pensado num lugar alternativo e nas vésperas do evento não teria sido fácil enfrentar uma mudança de plano; mas Deus provou Sua fidelidade, e nos fez experimentar Seu amor e Sua fidelidade através de tantas pessoas e entidades: a CNBB na pessoas do presidente dom Bernardo e da secretária executiva, a Cris, abriram as portas da mesma CNBB N2, apesar do fato que naqueles mesmos dias a casa estava acolhendo mais de 60 pessoas: a Regina arregaçou as mengas e juntou 40 colchoes e um salão para nos acolherem e assim metade do problema foi resolvido. Mas o que fazer com os cozinheiros? Pensei logo nos amigos leigos dos missionários xaverianos: liguei para a Telma, coordenadora deste grupo, expliquei o problema e ela depois de uma horas me avisou que encontrou a disponibilidade de quatro leigos xaverianos; e assim foi: eles não mediram esforços e cumpriram esta tarefa numa forma exemplar; com o suor na fronte mas sempre com o sorriso nos lábios. Assim deve ser o missionário: sempre disposto e nunca desistindo.

O que dizer também do pessoal de Abaetetuba? Xaverianos leigos e consagrados, bispo e povo todo que depois de ter trabalhado tanto para conseguir local do encontro, famílias para nos acolherem, alimentos etc, depois de tanto esforço, receberam  a notícia da mudança de lugar; humanamente falando eles poderiam ter desistido e pensado que tudo foi inútil, mas eles reagiram com muita fé: focaram mais na missão e no evento e não se importaram com as dificuldades mas com que a missão acontecesse; logo pensaram como solucionar o problema e assim não ficaram abalados. Viveram a cruz de Cristo, sabendo que qualquer cruz, se for vivida com fé e em comunhão com Deus, ela leva a ressureição. Tosos eles enfrentar esta mudança na mesma forma com que Jesus enfrentou a cruz: com fé. Não foi uma derrota mas prova de amor; de fato todo mundo compreendeu, não se desanimou, aceitaram sem magoas esta mudança, participaram numerosos, enfrentando o transtorno da viagem, até levaram, de ônibus e barco, grande parte dos alimentos arrecadados. Pessoalmente foi uma lição de amor e de missionariedade: recebi testemunho de Amor gratuito que se transforma em compromisso para que a missão de Cristo continue em nós pela força do Espirito santo; amor que perdoa; amor que compreende; amor “Mariano” que no silencio indica Cristo e nos diz: “fazei o que Ele vos disser”.

E enfim, fechando com chaves de ouro, com o testemunho da Ruth: leiga xaveriana, missionária no Oiapoque, num projeto do COMIRE N2. Nestes dias ela estava em Belém por causa da doença e do falecimento do grande missionário pe Nello, e assim a convidamos para nos dar o seu testemunho. Realmente ela nos confirmou que a missão acontece na fraqueza, partilhando a pobreza que somos, mas tudo dever ser feito por amor a Deus e aos irmãos. Nas vésperas da assembleia ela fez uma cirurgia num olho: ela tinha todo o direito de descansar, e todos nós teríamos intendido, mas o amor e a paixão missionária que arde no coração dela falou mais alto, assim aceitou o convite e ficou conosco o tempo todo, nos dando um grande testemunho sobre a “missão nas fronteiras”; palavras fortes que reportaram o sofrimento daquele povo e a grande necessidade de recursos humanos e materiais dos quais este projeto está precisando. Esteve presente também aquela missionária sem a qual a missão no Oiapoque não estaria acontecendo: a irmã Rebecca que sempre acompanhou o pe Nello na implantação e acompanhamento da missão nas fronteiras. Hoje a missão conta também com outros missionários e missionárias entre as quais a jovem Leidiane que esteve também presente na assembleia.

Caríssimos amigos e amigas dos MISSIONÁRIOS XAVERIANOS, quanto amor transbordante a gente experimentou nestes dias: não somente estudamos conteúdos de missão, mas vivenciamos a missão do Redentor através do testemunho vivo de cada participante da assembleia: os assessores, a equipe executiva, quem enfrentou o transtorno da mudança, os colaboradores, as testemunhas da missão etc.

A forma com a qual se enfrentam os problemas e os desafios da missão revelam que missão não é uma série de ações, mas o jeito de viver, como Cristo viveu, saindo continuamente de si, da sua zona de conforto, para ir ao encontro dos outros; não se importando com si mesmo mas com as ovelhas que lhe foram confiadas: tudo isso permite ao Deus Trindade de se revelar como luz em meio as trevas. Pelo batismo nos tornamos missão, enviados, colaboradores de Deus para que Ele seja conhecido e amado.

São Guido Maria Conforti lá do céu continue nos acompanhando e intercedendo por nós. Dai-nos Senhor santos operários para tua vinha; dai-nos Senhor santas vocações xaverianas para continuarmos a tua obra redentora. Amem

GRATIDÃO – pe Paolo Andreolli, missionário xaveriano.

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